23/02/08

The Illusionist (2006)

“O Ilusionista” é um filme repleto de magia e ilusionismo interpretado por Edward Norton, Paul Giamatti, Rufus Sewell e Jessica Biel.
Eisenheim (Norton) é um ilusionista que quebra as leis da Natureza, enquanto que o Inspector Uhl (Giamatti) é o oposto, um homem racional que se rege pelas leis do Homem. As outras personagens principais são a amiga de infância e posterior amada de Eisenheim, a Duquesa Sophie Von Teschen (Biel) e Leopold, o Príncipe da Áustria.
A amizade de infância de Eisenheim e da Duquesa Von Teschen não é bem vista, por pertencerem a classes sociais diferentes. Depois da família de Eisenheim ser ameaçada com a prisão, este deixa a sua terra natal para viajar pelo mundo, volta anos depois à Áustria para efectuar os seus espectáculos de ilusão num teatro e aí reencontra-se com Sophie, que é noiva do Príncipe herdeiro. A partir daqui a acção desenrola-se sempre intercalada com os truques de ilusionismo. A relação entre Eisenheim e o Príncipe torna-se num jogo do gato e do rato e, a certa altura do filme, não se sabe bem quem é representa qual papel!
Gostei do argumento, muito bem escrito, com uma reviravolta final, com as personalidades das personagens bem exploradas a favor da história; gostei dos efeitos especiais, dos tons sépia e castanhos que predominam a fotografia (cortesia de Dick Pope), da banda sonora (cortesia do senhor Philip Glass), dos actores / actriz que mantiveram as suas actuações sempre a um alto nível.
Depois de ver o filme estive a dar uma olhadela às opiniões que se encontram no IMDB e toda a gente se preocupa em encontrar falhas no filme em vez de se concentrar apenas no divertimento que este possa causar, em ver o filme apenas como uma peça de entretenimento. Além disso, estamos a falar de um filme de magia, ilusionismo, fantasia, muito longe daquilo que é a vida real e de tudo o que é perfeitamente racional. Como é que podem tentar encontrar explicações ou mesmo até falhas em situações de fantasia que são resultado de meros efeitos especiais criados por computador ou efeitos de video-montagem?
Eu gostei do filme, foram 100 minutos de puro entretenimento, plenos de fantasia. Não me preocupei em dissecar os actos de ilusionismo da personagem principal. Foi apenas isso, pouco mais de hora e meia de bom cinema.
Para fãs de filmes de fantasia, Tim Burton (em particular "Big Fish"), "Os Irmãos Grimm", "Vidocq", "V de Vingança", etc. 80%
RDS
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Oldboy (2003)

Há já algum tempo que andava para ver este "Oldboy" (2003), um filme da Coreia do Sul, realizado por Park Chan-Wook (um dos realizadores em "3... Extremos", ver crítica neste blog). Finalmente pus as mãos na edição em DVD, dediquei 120 minutos da minha vida a esta longa-metragem Coreana e não dei o meu tempo por perdido, muito pelo contrário!
Estamos em 1988, Oh Dae-su (Choi Min-sik) é um homem normal, casado e com uma filha de 3 anos. Este é raptado e acorda num quarto de hotel onde está prisioneiro, e onde permanece durante 15 anos. Tem um televisor no quarto, através do qual fica a saber que é o principal suspeito do homicídio da sua esposa. No início começa a desesperar sem saber porque está ali aprisionado, sem ter contacto com outros seres humanos (a não ser quando lhe é fornecida a comida através de uma abertura na porta), até que se começa a mentalizar que não vai sair muito cedo. Um dia acorda e apercebe-se que foi libertado perto do mesmo local onde foi raptado e aí começa a sua busca por respostas e vingança. E mais não vou dizer! Isto porque há muitas reviravoltas ao longo do filme e poderia estar a "estragar-vos" o filme se mencionasse algum pormenor importante.
Houve imensas críticas negativas a este filme por ser demasiado violento, mas essa violência não é explícita e por vezes ajuda a manter a tensão e a demonstrar na perfeição as emoções por que passam as personagens durante o filme.
"Oldboy" é violento, não numa perspectiva de Hollywood, em termos de impacto visual, mas sim no argumento / história em si. Park Chan-Wook não tenta de todo minimizar o impacto e as consequências das acções das personagens, tornando as situações mais reais e extremas.
Além disso, "Oldboy" mexe com questões de diferenças culturais, desejo de vingança, ódio, incesto, enfim, aspectos negativos do ser humano, a verdadeira natureza da raça humana, daí a maioria das pessoas se sentir incomodada com certas situações com que aqui somos confrontados.
Quanto ao final, se estivéssemos a falar de um filme de Hollywood, este seria mais certinho e fácil de compreender. Os cinéfilos sabem que os filmes Asiáticos não são assim, são mais surreais, com certas situações e, principalmente os finais, mais metafóricos e abertos a diversas interpretações. É o que acontece aqui em "Oldboy". É, como se costuma dizer em inglês "food for thought" (“alimento para a mente”, coisa que em Hollywood não é habitual). É por isso que a maioria dos ocidentais não gosta de cinema Asiático (e até certo ponto Europeu também), porque estão habituados a que lhes dêem a papa toda feita, não gostam de pensar um pouco, tirar as suas próprias conclusões e interpretar as películas à sua maneira. Assim é o cinema de Hollywood; pelo menos na sua maioria.
Já se falou num "remake" Norteamericano. Será que as gentes de Hollywood já não têm mais imaginação? Tivemos Ju-On / The Grudge, Ringu / The Ring, Infernal Affairs / The Departed, etc, e a maioria das pessoas que vêm esses filmes (os "remakes", leia-se) pensam que nos USA é que se encontra a grande meca do cinema mundial, sem saber que estão a ver cópias de obras primas asiáticas. Mas isso já dava para outro texto só por si, fica para uma próxima, talvez.
Eu sou fã de cinema que me faça pensar, que me provoque, deixe admirado, confuso, que mexa comigo, e "Oldboy" é um desses filmes. Recomendo-o vivamente a qualquer cinéfilo, apreciador da 7ª arte Asiática e a quem gosta de emoções fortes. 85%
RDS
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Saam gaang yi / Three… Extremes / Three Monster (2004)

"3... Extremos" (Saam gaang yi / Three… Extremes / Three Monster; 2004) é, não um filme, mas uma compilação de 3 curtas-metragens de origem asiática, existindo ainda outra recolha do género (essa fica para uma próxima). A primeira curta, "Dumplings", vem de Hong Kong e foi realizada por Fruit Chan. A segunda, "Cut", vem da Coreia do Sul e foi escrita e realizada por Park Chan-Wook (realizador de "Oldboy"). A terceira, "Box", vem do Japão e foi realizada por Takashi Miike (o mesmo do controverso filme "Ichi, The Killer", entre outros).
Pode ver-se o DVD por partes, uma curta-metragem de cada vez pois não têm qualquer relação entre si mas, na minha modesta opinião, e foi assim que eu o fiz, deve carregar-se no "play" e ver-se tudo do início até ao fim, com créditos finais incluídos.
Em "Dumplings", uma actriz procura a fonte da juventude em "dumplings" (pastéis de carne) que contêm um ingrediente secreto que, mesmo às pessoas de estômago mais forte, vai provocar alguma má disposição. E mais não digo porque só mesmo vendo!
Em "Cut", um realizador vê-se aprisionado com a sua mulher num cenário de um dos seus filmes por um fã. O suspense mantém-se durante os cerca de 40 minutos de duração. A maior parte das vezes nem sabemos se havemos de rir ou ficar com medo ao imaginar se aquilo nos estivesse a acontecer a nós. Torna-se extremamente assustador em certos momentos. Acreditem que não vão conseguir afastar o olhar do ecrã nunca, com uma certa pressão no peito e, quando acabar vão ter a sensação de que nem respiraram durante a todo o visionamento!
Finalmente, em "Box", uma escritora sonha constantemente que é envolta em plástico e que é enterrada viva e, com o decorrer do filme vamos descobrir certas coisas do seu passado. Nesta última metragem imaginem um argumento escrito por Quentin Tarantino, com influências de terror / suspense tipicamente Japonês, e realizado por David Lynch. É muito surreal e, para quem não está acostumado a cinema de suspense vindo do Japão, poderá ficar muito confuso.
Posso descrever tudo em 3 sensações sequenciais: em "Dumplings" ficamos enojados; logo ficamos assustados com "Cut" para, a seguir, ficarmos confusos com "Box". No final de tudo vão ficar a olhar para o ecrã do vosso televisor de boca aberta a pensar: "mas o que é que aconteceu aqui nestes 120 minutos?". Foi isto mesmo que me aconteceu!
Indispensável para os fãs de emoções fortes e de cinema Asiático. 90%
RDS


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