29/02/08

Masters Of The Universe (1987)

Alguém se lembra de na sua infância adorar o grande He-Man? Se forem mais ou menos da minha idade, então lembram-se perfeitamente da dita personagem de desenhos animados. Pois, esta é a transposição desse herói para o grande ecrã. O filme é datado de 1987 e conta com um jovem Dolph Lundgren na pele de He-Man, Frank Lagella como Skeletor, além de James Tolkan, Meg Foster, Christina Pickles, Billy Barty e uma jovem Courteney Cox (a atingir reconhecimento mais tarde com a famosa série de TV “Friends”) com papéis secundários.
É pena terem apostado numa acção desenrolada em grande parte no Planeta Terra, pois gostaria de ter visto como recriariam Eternia no grande ecrã. Do universo He-Man temos apenas as personagens, Greyskull (o covil do mau da fita, Skeletor), e pouco mais. Imposições do orçamento quiçá? Resultou mais num filme de acção com toques de fantasia / ficção científica do que propriamente numa recriação do universo He-Man.
Quanto às interpretações, Dolph Lundgren ainda estava muito verde, se é que alguma vez esteve maduro, fazendo com que o herói da história, He-Man, parecesse algo retardado mentalmente. Mais tarde Lundgren alcançou algum reconhecimento com os seus filmes de acção do género “um contra todos”, mas as suas qualidades como actor continuaram praticamente inexistentes. Frank Langella está soberbo com a sua interpretação do famigerado Skeletor. Uma das mais valias do filme. As interpretações de Man-At-Arms e Teela também não estão más. Nada de surpreendente mas aceitável. Couteney Cox demonstra já aqui as suas qualidades de representação.
A banda sonora de Bill Conti também está fantástica, atribuindo ao filme um tom mais épico, embora com algumas colagens descaradas a John Williams e o seu trabalho para Star Wars.
Há muitos pontos negativos mas também há muitos positivos. As criaturas sob o comando de Skeletor estão bem caracterizadas mas algo mal representadas pelos respectivos actores. Os efeitos especiais e cenários (os do lado da fantasia pois, como já disse, muita da acção desenrola-se no Planeta Terra) são muito bons para a altura e típicos da ficção científica / terror / fantasia dos 80s. É claro que não estamos a falar de Star Wars nem nada do género, mas mesmo assim material muito bom. Poderia ter resultado muito melhor mas, apesar de algumas falhas já apontadas, esta é uma boa aposta para os fãs da série de animação, fantasia e ficção científica em geral. 70%
RDS

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0093507/
Masters Of The Universe - Fan-made Trailer

Segments from Gakko no Kaidan G, directed by Takashi Shimizu (1998)

Katasumi / In A Corner

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26/02/08

Marebito (2004)

Mare: estranho + Hito (pronunciado Bito quando combinado com um adjectivo): pessoa = Marebito: pessoa estranha.
Este é com certeza um dos filmes mais surreais e alucinados que eu já tive o prazer de ver. Sendo fã do cinema de Terror Japonês, ou J-Horror como é conhecido actualmente no Ocidente, tinha de ver este também. Não é um filme na linha do típico J-Horror de títulos como “Ringu”, “Ju-On” ou “Cakushin Ari”, por exemplo. “Marebito” (“The Stranger From Affar”) é uma espécie de fusão do cinema de terror Japonês com ideias e mitos Lovecraftianos. Adicionem ao caldeirão alguns elementos de “Eraserhead” de David Lynch e de “Naked Lunch” de Cronenberg e têm o vosso filme. O realizador é Takashi Shimizu, o mesmo de Ju-On, entre outros grandes filems do género. A história é simples (ou talvez não), um cameraman chamado Masuoko (interpretado pelo cineasta de culto Shinya Tsukamoto) anda obcecado pelo factor “medo” e procura ele mesmo ser atingido por um estado de medo absoluto. Após ter registado em vídeo o suicídio de um indivíduo que tinha uma expressão de terror extremo no rosto, Masuoko parte na busca dessa emoção forte, investigando um mito urbano Japonês que diz que túneis subterrâneos em Tóquio são habitados e assombrados por espíritos misteriosos. Muitas das passagens do filme são feitas na perspectiva do protagonista, que anda sempre de câmara em punho, a tentar captar aquilo que o suicida tinha visto ou sentido. Encontra-se obcecado a ver e rever esse vídeo, assim como outras filmagens snuff e gravações do dia-a-dia. Até que, numa das suas incursões pelos ditos túneis, encontra uma rapariga que se assemelha mais a uma estranha criatura do que a uma adolescente. Amarrada com uma corrente, magra, pálida, a rapariga não fala e alimenta-se, sabe-se mais tarde, de sangue. Mas as coisas talvez não sejam bem como nós as estamos a ver, ou a entender. Masuoko atinge o verdadeiro estado de terror quando descobre a verdade. Qual é? Não digo. No final as coisas ficam abertas à interpretação de cada um. Eu tenho a minha, mas deixo-vos ver o filme e depois falamos. Todo o filme tem um ambiente sinistro, pesado, psicótico e sufocante. Metade J-Horror metade Lovecraft, este filme é uma boa aposta para fãs dos géneros e nomes acima referidos. 80%
RDS


IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0434179/

The Scarlet Empress (1934)

Estamos perante um dos clássicos do cinema de orientação gótica da década de 30. O filme retrata a vida da Princesa de origem Alemã Sofia Frederica que se tornou na Imperatriz Catarina II da Rússia, no século XVIII. O filme foi baseado no diário da própria Catarina II. A bela Marlene Dietrich está perfeita na interpretação da Princesa Sophie / Imperatriz Catarina A Grande. É fantástica a transformação que esta sofre de um momento para o outro, quando deixa de ser a bela e inocente Princesa Sofia para passar a ser a sinistra Catarina. Perfeito. Sam Jaffe também está fantástico na interpretação do Grão-Duque Pedro. Mantendo ainda aqueles tiques característicos do cinema mudo, com movimentos e expressões faciais exagerados, quase burlescos, de pantomina, com um dramatismo exacerbado, consegue criar um Pedro perfeito, entre o louco, o maníaco e o sinistro. Louise Dresser é quem tem, talvez, a melhor das performances ao interpretar a dura e fria Imperatriz Elisabete Petrovna. John Lodge é outro dos actores em alta na pele do sedutor Conde Alexi. É claro que todas as interpretações destes, e de outros actores / actrizes, além dos mais de 1000 figurantes, não teriam tanto impacto se não fosse pelo soberbo trabalho de realização de Josef von Sternberg.
“The Scarlet Empress” é sinistro, artístico, bem estruturado, por vezes com tons de comédia negra, acentuando o seu dramatismo e suspense em passagens quase desprovidas de diálogo, apenas centrando-se no aspecto visual, na música e nos comentários escritos. Amor, traição, sexo, corrupção, sede de poder, e outros factores da mesma ordem, são ingredientes que fazem a história deste filme.
A arquitectura grotesca (historicamente errada, sendo na realidade neoclássica), com figuras grotescas, desfiguradas, gárgulas, portas enormes, iluminação quase ausente apenas fornecida por uma imensidão de velas, ajuda a todo esse tom negro, pesado e sinistro da história retratada.
Apesar dos erros e incongruências a nível histórico, um verdadeiro clássico do cinema do século XX. 100%
RDS

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0025746/

Excerto 1

Excerto 2

Excerto 3

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