28/03/08

Attack Of The Killer Tomatoes (1978) - Intro

Attack Of The Killer Tomatoes (1978)

Tomates geneticamente modificados começam a atacar humanos e animais. No início, o governo tenta encobrir o caso mas, rapidamente, a coisa fica fora de controlo e o caos instala-se. Um grupo de elite é reunido para tentar salvar o mundo da ameaça dos tomates assassinos. Este grupo é liderado por um homem que está desempregado há imenso tempo e não tem qualquer tipo de habilitações para o cargo. Sob a chefia deste está um tipo que anda sempre com o paraquedas aberto a arrastar pelo chão, um mergulhador que anda sempre com o fato de mergulho vestido, uma nadadora alemã obesa e um homem de raça negra que é um mestre do disfarce (George Washington, tomate assassino, um Hitler negro, etc).
John De Bello escreveu, produziu, realizou e até escreveu o genérico do filme (o tema título é o melhorzito do filme, é uma grande malha que não me sai da cabeça até hoje). Este filme de série B é uma sátira aos filmes de monstros e criaturas das décadas de 50 e 60. Não é inteligente, nem o pretende ser. Não é hilariante, nem o pretende ser. Não é uma obra-prima, longe disso. Mas é já um clássico da série B. Depois de ver este filme não vão encarar o cinema da mesma maneira. É daqueles filmes que nunca mais se esquece. Seja por boas ou más razões. Gargalhadas? Não as conseguiram de mim. Bem, talvez uma só, numa cena que me fez lembrar os irmãos Marx. No geral, apenas um sorriso de orelha a orelha causado pelas cenas completamente disparatadas e absurdas. Os actores, na sua maioria, são péssimos actores; os efeitos especiais são amadores (numa cena vêem-se as rodinhas num tomate gigante); o argumento parece escrito à pressa e nem teve direito a uma revisão. Juntem a isso uns números musicais do mais baixo nível e têm diversão garantida. É nesse espírito que devem ver este “Ataque Dos Tomates Assassinos”. Uma comédia absurda, de baixo orçamento, com piadas “secas”, série B. E se gostarem deste, ainda têm mais 3 sequelas ainda piores do que este original! Querem melhor? 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0080391/

[Escrito ao som de Mike Patton “A Perfect Place OST” (Ipecac 2008)]

Witchfinder General (1968)

Século XVII. A Inglaterra está dividida pela guerra civil. Os monarquistas lutam contra o partido parlamentar pelo controle da nação. Este conflito distrai o povo do pensamento racional e permite que homens sem escrúpulos ganhem o poder local explorando superstições aldeãs. Um destes homens é Matthew Hopkins (Vincent Price), que percorre o país oferecendo os seus serviços como caçador de bruxas. Ajudado pelo seu sádico cúmplice John Stearne (Robert Russell), viaja de cidade em cidade extraindo confissões a “bruxas” com o único intuito de encher os bolsos e receber favores sexuais. Quando Hopkins condena o Padre John Lowes (Rupert Davies) por bruxaria, e subjuga a sobrinha deste, Sarah Lowes (Hilary Heath), acaba por ser alvo da fúria de Richard Marshall (Ian Ogilvy), noivo da rapariga. Arriscando ser condenado por fuga aos seus deveres militares, Richard persegue Hopkins e Stearne.
Fusão de thriller e terror, toques de western e dos filmes da Hammer. Esta obra-prima, baseada em factos reais, é tida como um dos filmes mais violentos alguma vez feitos no Reino Unido. Não pelas directrizes actuais, como é evidente, não se trata de um filme de terror puro, muito menos Gore. São os temas retratados, alguns deles até tabu, que criam o ambiente denso do filme e nos fazem pensar. Abuso de poder, corrupção, política, religião, superstição. Século XVII? As ideias e conceitos deste filme mantêm-se actuais. Obscuro, soturno, denso, agressivo. Uma obra-prima. Vincent Price, como sempre, está irrepreensível no papel do famigerado Hopkins. Price reencarna na perfeição a perfídia, malignidade, falta de escrúpulos e moral de Hopkins. Perfeito! Aliás, todo o elenco está soberbo. A realização de Michael Reeves é também um dos factores que eleva este filme a um patamar superior. E, segundo parece, Price e Reeves não se entendiam muito bem, existindo alguma tensão entre ambos o que, em parte, ajudou ao ambiente negro do filme. Pena é que o realizador Michael Reeves tenha deixado o mundo dos vivos tão cedo (devido a uma overdose de barbitúricos). Tinha apenas 25 anos de idade e deixou 4 filmes para a posteridade. Mas antes de nos deixar, ofereceu-nos esta obra-prima, “Witchfinder General”. “My name is Hopkins. Witchfinder”. Uma frase que fica na história do cinema. 100%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0063285/

27/03/08

Colour Of The Truth (2003) - Trailer

Hak Bak Sam Lam / Colour Of The Truth (2003)

Wong Jiang (Anthony Wong) e Qi Xi “Seven Up” (Lau Ching Wan) são dois investigadores da policia de Hong Kong. Qi Xi trabalha como informador para as tríades e como cúmplice do senhor do crime Blind Chiu (Francis Ng). Wong tem provas para incriminar Blind Chiu, mas Qi Xi interfere e fornece abrigo ao criminoso. Depois de uma perseguição, que acaba num telhado (qual é a dos policiais de Hong Kong e os telhados?), os 3 homens confrontam-se. Blind Chiu e Qi Xi acabam mortos. Sem haver testemunhas (nem mesmos nós, porque o desenrolar da cena é filmada da rua, sem mostrar o que se passa, apenas o som dos tiros), o relatório final indica que Qi Xi morreu no cumprimento do dever. Anos mais tarde, o seu filho Chan Lok-Yin “Cola” (Ho-Yin Wong) integra as forças policiais e acaba sob o comando de Wong Jiang. Assumindo que este é culpado da morte de seu pai, jura vingança. Mas não e só ele, e Ray (Jordan Chan), filho de Blind Chiu, propõem-lhe uma vingança conjunta. As habituais voltas e reviravoltas marcam “Colour Of The Truth” e, até bem perto do final, ficamos na dúvida sobre o que realmente aconteceu naquele dia naquele telhado.
Acusado de ser uma cópia de “Infernal Affairs”, o que a meu ver, não tem razão de ser, o filme consegue ficar acima da média. Não sendo um dos melhores policiais vindos de Hong Kong (prolífico neste tipo de filmes), este “Colour Of The Truth” é, mesmo assim, um grande filme policial com toques de thriller, muita acção, uma história interessante, actuações irrepreensíveis e uma realização soberba (Marco Mak e Jing Wong). Além dos nomes já referidos, temos a participação de inúmeras caras conhecidas da cena de Hong Kong, seja em “cameos” ou papéis secundários.
Só é pena as legendas em inglês estarem uma grande porcaria. Em algumas passagens (tal como na cena inicial no telhado) não se percebia muito bem o que as personagens estavam a falar. Num filme em que o diálogo, as personalidades e a interacção entre as personagens são peças fundamentais, este tipo de falhas perturbam muito a compreensão do filme. Mas, com algum esforço intelectual, as coisas compõem-se e percebe-se bem o filme. Para fãs de policiais de Hong Kong e policiais / thrillers em geral. Eu, na minha reduzida sabedoria cinéfila, recomendo. 75%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0375669/

[Escrito ao som de Dropkick Murphys “Singles Collection Volume 2 – 1998-2004” (Hellcat / Epitaph 2005)]

Jim Henson's Time Piece (1965)

Jim Henson's The Cube (1969) - Excerto 2

Jim Henson's The Cube (1969) - Excerto 1

Jim Henson’s The Cube (1969) & Time Piece (1965)

Não, não estamos a falar do filme Canadiano de suspense / ficção-científica. Este “The Cube” é um telefilme de 1 hora escrito (em parceria com Jerry Juhl) e realizado por Jim Henson (o mesmo de “Muppets Show”) para o programa de NBC “Experiment in Television”. A data de emissão foi 23 de Fevereiro de 1969.
Um homem está preso dentro de um cubo e não sabe como foi lá parar. Durante os cerca de 54 minutos em que decorre o filme, várias pessoas abrem diversas portas e entram no cubo. Depois de interagir com o homem, saem pela mesma porta por onde entraram. Mas quando o nosso herói tenta abrir a porta para sair, esta já não existe. O cubo está novamente fechado. Uma das personagens diz-lhe que ele tem de encontrar a sua própria porta para poder sair. Mas como? Qual é a minha porta? Como a consigo encontrar? São estas algumas das dúvidas do homem. E cada uma das personagens que entra não lhe satisfaz as dúvidas, pelo contrário, ainda o deixam com mais! Questões filosóficas sobre identidade, tempo, realidade, ilusão, entre outras, são debatidas em conjunto com cada um dos visitantes. Será que o “homem no cubo” conseguirá encontrar “a sua porta” e finalmente sair?
Richard Schaal está fantástico no papel do “homem no cubo” e, quanto à realização de Jim Henson, não haja dúvidas, está irrepreensível. O homem era um génio.
Hilariante, desconcertante, surrealista. Uma obra-prima. P.S. O original é a branco e preto, mas eu vi uma cópia a cores. 100%
RDS

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0291118/

A par com este telefilme tive ainda a oportunidade de ver “Time Piece”, uma curta-metragem de 9 minutos datada de 1965, escrita, realizada e protagonizada pelo próprio Jim Henson. Experimental, surrealista, musical, poética até. “Time Piece” é uma espécie de videoclip musical que lida com o assunto do tempo em várias vertentes tais como: o tempo como conceito filosófico, deslocação no tempo e a escravização do homem ao mesmo. Mais uma vez, o homem era um génio! 100%
RDS

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0059807/

[Escrito ao som de Yoshida Tatsuya / Satoko Fukii “Erans” (Tzadik 2004)]

Shutter (2004) - Trailer

Shutter (2004)

Um jovem fotografo chamado Tun (Ananda Everingham) e a sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) atropelam uma rapariga ao regressar de uma jantar com um grupo de amigos. Tun convence Jane, que ia a guiar o carro, a fugir do local sem ajudar a vítima. Após este incidente, Tun começa a ver sombras misteriosas nas suas fotografias. Depois de fazer algumas investigações, este descobre que a rapariga atropelada era uma Natre (Achita Sikamana), ex-namorada e ex-colega de faculdade. No decorrer dos eventos, Jane descobre que o seu namorado esconde uma parte do seu passado que envolve Natre e o seu grupo de amigos.
Parece que não é só do Japão e da Coreia Do Sul que vêm os grandes filmes de terror e suspense. A Tailândia já está a ser responsável por uma série de filmes, com este “Shutter” à cabeça, que rivalizam com os seus pares Japoneses e Coreanos. “Shutter” é um filme intenso, assustador, perturbador. Já li algumas críticas e comentários que o apontam como um dos melhore filmes asiáticos de terror desde “Ju-On” e “Ringu”. Não posso senão concordar com a afirmação. Há já algum tempo que não via um filme tão assustador como este. Segundo parece, os realizadores, Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom estão na casa dos 20s e este é apenas o seu primeiro filme. Se é isto que conseguem na sua primeira experiência cinematográfica, então aguardo ansioso por mais trabalhos destes senhores. Promissores sem dúvida.
Para variar um pouco, o remake nos Estados Unidos é já uma realidade. Que fazer? Cópias medíocres de obras-primas? Gostaria de dizer que me passam ao lado mas eu, como consumidor impulsivo de cinema, gosto de ver tudo e depois comparar. No entanto, remakes à parte, o original estará sempre disponível para nós cinéfilos. Altamente aconselhável. 90%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0440803/

[Escrito ao som de Doomsword “Doomsword” (Underground Symphony 1999)]

Kowai Onna / Unholy Women (2006) - Trailer

Kowai Onna / Unholy Women (2006)

“Unholy Women” é uma antologia composta por 3 contos de terror / suspense oriunda do Japão. O argumento e a realização são creditados a Keita Amemiya e Takuji Suzuki. Passo a descrever e comentar um a um estes bizarros e surreais contos do país do sol nascente.

“Rattle Rattle”: Inicia como um qualquer filme de J-Horror mas rapidamente se transforma num pesadelo bizarro, surreal, de contornos quase psicadélicos, mais até do que propriamente assustador. Mas estejam descansados (ou não) que tem alguns pormenores bem assustadores. Kanako é uma jovem que chega a casa após uma saída com o seu namorado. O carro derruba uma jarra com flores que está num pequeno santuário à beira da estrada. Ao fazer o resto do caminho a pé, Kanako é atingida por algo que cai do cimo de um prédio, localizado perto do referido santuário. Após o embate, a rapariga começa a ter visões estranhas e a ser perseguida por um ser estranho, assustador, bizarro (já repararam quanto vezes usei esta palavra? Vejam o filme e depois dão-me razão!). A nossa heroína (Noriko Kakagoshi, o único senão nesta curta-metragem pois a rapariga não tem qualquer habilidade na arte da representação!) inicia uma investigação para saber sobre o suicídio de uma mulher e do seu falecido filho. O final é surpreendente. Ah, já gora, o título “Rattle Rattle”, é o som que a estranha criatura faz ao movimentar-se. 70%

“Hagane (Steel)”: Bizarro! Se eu usei a palavra para descrever o filme anterior, então aqui é que se encaixa na perfeição! Esta é uma das coisas mais estranhas e surreais que eu já vi em filme. Estes Japoneses lembram-se de tudo e mais alguma coisa. Sekiguchi é um miúdo do tipo “cromo” que trabalha numa oficina mecânica. Certo dia, o seu patrão mostra-lhe uma fotografia da sua irmã e pede-lhe para a levar a passear. Diz-lhe até para levar o carro desportivo de um cliente. Assim que o rapaz chega a casa do patrão confronta-se não com a rapariga da fotografia, mas com outro cenário bem diferente. Não quero estar a estragar-vos a surpresa pois vale bem a pena. Acreditem que é para largar um palavrão bem sonoro! A partir daí o encontro, e posteriores encontros (a bom custo evitados pelo rapaz), tornam-se em situações perfeitamente bizarras e surreais (vejam “Unhole Women” e vão usar estas palavras tão amiúde como eu). Comédia negra, suspense, terror e algum Gore. Há um pouco de tudo condensado nesta obra-prima da esquisitice. Todos os constituintes da antologia são fantásticos, mas só por este “Hagane” já vale a pena o visionamento. Fabuloso! 95%

“The Inheritance”: Para os fãs das histórias de fantasmas Japonesas. No entanto, acaba por ser até mais real do que propriamente sobrenatural. Esta história, que encerra a antologia, é plena de suspense, intensa, perturbadora, de um terror psicológico fortíssimo. Saeko é uma mulher recentemente divorciada que sai de Tóquio e regressa à sua terra natal, junto com o seu filho, para viver com a sua mãe. Já na casa, Saeko começa a agir de forma estranha, distante, agressiva, quase psicótica. Mas esta repentina mudança não é nova naquela casa. Em tempos houve outro incidente que envolveu a sua mãe e o seu irmão Mashaiko. Sem querer estar a arruinar o visionamento, posso dizer que o final não é dos mais agradáveis, mas isso apenas acentua ainda mais o ambiente extremamente tenso do filme. Um final feliz não conseguiria ter tanto impacto. É pena ser apenas uma curta-metragem, pois o tema poderia ser melhor explorado. 70%

Avaliação Final: 80%

RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0959314/

[Escrito ao som de Diamanda Galas w/ John Paul Jones “The Sporting Life” (Mute 1994)]

The Hills Have Eyes 2 (2007) - Teaser Trailer

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