10/05/08

Golok Setan / The Devil’s Sword (1984)

A Rainha Crocodilo (Gudhi Sintara) rapta homens nas vilas mais próximas para satisfazer as suas perversões ninfomaníacas. Esta vive numa caverna debaixo de água, rodeada pelos seus guerreiros e escravos. Um dos seus maiores guerreiros é Banyu Jaga (Lo Lieh), o qual viaja em cima de uma rocha voadora. A Rainha rapta um desses vilãos, Sanjaya, e a sua noiva (Enny Christina) parte para o resgate com a ajuda do herói Mandala (Barry Prima), cujo visual é uma mescla de Conan e Rambo. Paralelamente, temos a procura da espada do diabo, uma poderosa espada forjada a partir de um meteorito, a qual está escondida numa caverna na Montanha do Diabo. Diz-se que quem a possuir governará o mundo. Mandala, Banyu e outros 4 peculiares personagens (entre eles uma bruxa cuja cabeça se separa do corpo e voa, coisa algo familiar não?) anseiam por possuir a dita espada. “Golok Setan” (The Devil’s Sword) é um filme Indonésio de fantasia, artes marciais e aventura. Trata-se de uma produção dos estúdios Rapi Films, responsáveis por títulos como “The Warrior and The Ninja”, “Virgins from Hell”, “Hell Raiders” ou a série de filmes “The Warrior”.
“The Devil’s Sword” é kitsch ao máximo, tem efeitos especiais do mais absurdo (cortesia do senhor El Badrum, responsável pelos efeitos em “Mystics In Bali”), guarda-roupa a condizer com o estilo de aventura fantástica, péssimas coreografias nas lutas (alguns dos figurantes parecem estar a dançar desarticuladamente e chega até a ser patético), actuações muito teatralizadas, alguma violência, algum Gore e uma banda sonora de sintetizador bem pindérica tipicamente 80s. A isto alia-se ainda o carácter exótico que tem sempre um filme destes para um Ocidental. Algo que se pode destacar pela positiva é a fotografia com cores fortes e apelativas aos sentidos. São assim os filmes de fantasia, aventura e acção da Indonésia da década de 80. E isto tudo significa que o filme é péssimo? Claro que não. Muito pelo contrário. É assim que nós, apreciadores de trashy / série B / baixo orçamento / etc. gostamos deste tipo de filmes. E a Indonésia foi prolífica nestas pérolas durante a década de 80. Alguns pontos negativos, a meu ver, são o facto do filme ter um desenvolvimento algo lento e que algumas das partes de luta são demasiados longas, o que se torna algo monótono. A isso alia-se ainda o facto de eu ter visto uma execrável versão dobrada em inglês (a maioria dos filmes Indonésios da época estão apenas disponíveis nessas versões).
No geral, um “must see” para os fãs de fantasia, série B, trashy, gore, baixo orçamento, filmes Indonésios dos 80s, cult, kitsch, etc. Todos os outros, afastem-se imediatamente porque não vão estar devidamente preparados para esta quasi-“obra prima”. 75%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0087142/

Escape From L.A. (1996)

15 anos depois do original “Escape From New York” (1981), John Carpenter volta a atacar com uma sequela. Desta feita tem a colaboração no argumento do próprio Kurt Russell e de Debra Hill. E, mais uma vez, Carpenter foi também responsável pela banda sonora (com a colaboração de Shirley Walker). Além de Russell, temos em EFLA um fantástico rol de actores e actrizes, a saber, Stacy Keach (como o Comandante Malloy), Steve Buscemi, Pam Grier, Michelle Forbes, Valeria Golino, A.J. Langer, Cliff Robertson, entre outros.
Estamos em 2013. Existe uma nova ordem nos USA. O país tem como Presidente (Cliff Robertson) um moralista que proibiu coisas como sexo extra marital, álcool, tabaco, carne vermelha, o culto de outras religiões, etc (a ficção não é lá muito diferente da realidade, pois não?). Depois de um terramoto, Los Angeles, uma cidade extremamente imoral aos olhos do novo Presidente, fica separada do resto do continente e deixa de ser considerada território Norte-Americano. Esta passa a ser uma ilha destinada a deportar não só os criminosos, mas também os indivíduos que por irem contra a “nova ordem” perdem a sua cidadania. Tal como no filme original, Snake Plissken (Russell) volta a ser “convidado” a entrar em Los Angeles para levar a cabo uma missão suicida. Aqui é também injectado com um vírus mortal, ficando apenas com 9 horas para completar a sua missão e, só depois disso, lhe será administrado o antídoto. Desta feita, ele tem de recuperar um aparelho que pode desligar qualquer sistema na face da Terra e deixar um país, ou até mesmo o mundo inteiro, sem qualquer tecnologia moderna. Deixá-lo na idade da pedra, por assim dizer. Este aparelho foi roubado do Presidente pela sua própria filha Utopia (A.J. Langer) que foge com o seu novo namorado Cuervo Jones (George Corraface), um guerrilheiro de origem latina com fortes semelhanças físicas a Che Guevara. Plissken tem de recuperar o aparelho em tempo recorde e matar Utopia a mando do seu próprio pai. Durante o filme vemos Russell a fazer surf bem no meio de Los Angeles, assim como a sobrevoar a cidade em asa delta, perseguir a comitiva de Cuervo de mota, etc. Muita acção e movimento, isso é garantido! E para o ajudar a criar confusão este tem a ajuda de “Map To The Stars” Eddie (Steve Buscemi), Hershe Las Palmas (Pam Grier), Taslima (Valeria Golino) entre outros. Desde o argumento (cópia descarada do filme original), aos efeitos especiais quase série B, até à prestação exagerada de Russell, tudo é muito kitsch, cliché e caricaturado, mas é tudo propositado. Carpenter e Russell conseguem em “Escape From L.A.” uma bela sátira, tanto ao clássico de 1981, como à grande maioria dos estilizados filmes Norte-Americanos de acção, policiais, ficção científica, sequelas sem imaginação, etc, recorrendo a um sem número de clichés dos mesmos. Não é tão bom como o original, lá isso é verdade, mas é um excelente filme direccionado para quem é fã desse clássico de 1981, ficção científica, distopias, acção, policiais e até westerns. E, como alguém disse no IMDB, este tem um dos melhores finais de sempre. É ver para constatar. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0116225/

09/05/08

Mou Gaan Dou / Infernal Affairs – Trilogia (2002 & 2003)

Mou Gaan Dou / Infernal Affairs I (2002): Chan Wing Yan (Tony Leung) é um polícia infiltrado nas tríades de Hong Kong. Do mesmo modo, Lau Kin Ming (Andy Lau), membro de uma tríade, infiltra-se na polícia. Chan encontra-se infiltrado há vários anos e tem vindo a subir na hierarquia da tríade. Também o Inspector Ming tem vindo a subir na sua carreira, até ao ponto de ser encarregado dos “Assuntos Internos” (“Internal Affairs”) para, imagine-se, encontrar a “toupeira” que a tríade tem na força de polícia. Ambos vão informando os seus respectivos chefes, respectivamente o Superintendente Wong Chi Shing (Anthony Wong) e Sam (Eric Tsang), dos seus passos no campo inimigo. Chan quer deixar de ser infiltrado, mas apenas o Superintendente Wong sabe a sua verdadeira identidade, a qual guarda no seu computador, numa ficha que está fechada com uma senha. Tanto Chan como Ming, mas principalmente Ming, começam a ficar confusos sobre a sua vida e o seu papel principal. Começam a questionar-se se estão de um lado ou do outro. Chan já não sabe se é bom ou mau. Ming também começa a pensar apagar o seu passado para passar a ser um polícia de verdade. Os dois lados da equação, polícia e tríade, tentam desesperadamente apanhar a “toupeira” que está no seu lado. Chan e Ming são apanhados num turbilhão de situações extremamente difíceis.
Além dos nomes atrás mencionados, outros nomes da cena de Hong Kong fazem parte deste fantástico policial, tais como: Lam Ka Tung, Ng Ting Yip, Wan Chi Keung, Dion Lam, Chapman To, Edison Chen, Shawn Yue, etc. Todos os actores e actrizes estão ao mais alto nível, principalmente Tony Leung, Andy Lau e Anthony Wong. O argumento é fantástico. Além da complexidade do mesmo a nível da história central, as personalidades das personagens são muito bem exploradas, o que dá uma dimensão mais humana às mesmas. A certo ponto do filme estamos tanto do lado de pessoas da polícia como da tríade. Mesmo sabendo o que algumas delas fazem ou fizeram! É difícil, a certo ponto, distinguir entre o bem e o mal. Nem mesmo as personagens o sabem fazer. E a vida real é mesmo assim. Num filme do género, vindo de Hollywood, temos o bom que é mesmo bonzinho, e o mau da fita que é mesmo mauzão. Aqui temos situações reais, com diversos tons de cinzento. Isso deixa-nos a pensar, e muito, sobre algumas das atitudes das personagens. A realização, essa é soberba. A banda sonora de Chan Kwong Wing é um excelente complemento ao drama, à tensão e à acção do filme. Um dos melhores policiais, se não o melhor, que vi nos últimos anos. Recomendo vivamente. 95%
IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0338564/

Mou Gaan Dou II / Infernal Affairs II (2003): O volume II de “Infernal Affairs” é uma prequela onde se apresentam os passados das várias personagens. Aqui ficamos a saber muito do que aquilo que nos foi dado a conhecer no filme original. As personagens principais Ming e Chan, aqui mais jovens, são representadas por Edison Chen e Shawn Yue, respectivamente. Apesar de não terem a experiência dos seus pares Lau e Leung, os jovens safam-se muito bem e conseguem transpor para o ecrã as personalidades das suas personagens. A história neste 2º volume inicia com a expulsão de Chan Wing Yan (Shawn Yue) da academia de polícia. Como já é conhecido do 1º filme, o Superintendente Wong incumbiu-lhe a tarefa de se infiltrar numa tríade de Hong Kong liderada pelo seu meio-irmão Ngai Wing-Hau (Francis Ng, numa prestação ao mais alto nível, tal como os outros actores). Quanto a Ming, a trabalhar para Sam e a sua esposa Mary Hon (Carina Lau), foi-lhe dada a tarefa de matar o pai de Hau e infiltrar-se na polícia. Não tão bom quanto o primeiro, mas mesmo assim muito acima da média, este “Infernal Affairs II” revela-nos o passado das personagens que conhecemos de IA-I e outras “novas” (é uma prequela!) que nos vão ajudar a perceber melhor todo o enredo, as personagens, as interacções entre as mesmas, e muitos outros pormenores. Quem gostou do primeiro, continue com este que continua bem! 80%
IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0369060/

Mou Gaan Dou III: Jung Gik Mou Gaan / Infernal Afairs III (2003): A terceira e derradeira etapa desta fantástica trilogia policial de Hong Kong. Neste voltamos a ponto em que ficamos no final do primeiro filme. Ming (Andy Lau de novo a encarnar a sua personagem), ainda a trabalhar nos “Assuntos Internos”, suspeita que o Superintendente Yeun Kam Wing (Leon Lai) é uma “toupeira” das tríades. É neste, e noutros pressupostos secundários, que se centra parte da acção de AI-III. A outra parte do filme é composta por complementos em forma de “flashbacks”. Em AI-III temos quase todas as personagens dos dois filmes anteriores a fazerem aparições, mesmo as que morreram, pois muitas coisas que não sabemos são contadas nos já referidos “flashbacks” que nos fornecem informações complementares para a globalidade da história. Preparem-se para estar com muita atenção porque as coisas podem ficar muito confusas com os constantes, e principalmente aleatórios, saltos no tempo. Um dos pontos que gosto muito neste AI-III é a interacção entre Chan (Tony Leung) e a sua psicóloga Lee Sum Yee (Kelly Chen). São passagens mais ligeiras e engraçadas que ajudam a descontrair, ainda que por breves momentos, de toda a tensão e drama que envolve a história geral.
Ao contrário da maioria das trilogias feitas nos USA, nas quais o 3º filme é um fechar da história e tem um final com um clímax exagerado, aqui o 3º filme serve para complementar. Depois de ver AI-III ficamos com uma perspectiva mais alargada de tudo. Este é, portanto, um filme que não pode ser visto “sozinho”. Tem de se ver obrigatoriamente depois de AI-I e AI-II. Uma boa maneira de fechar a trilogia. 80%
IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0374339/

Nota à parte: “The Departed”, o já obrigatório remake Norte-Americano? Ainda não vi. Até hoje ainda estou reticente. Mas vou apanhar coragem e faço-o qualquer dia destes. Depois faço uns comentários aqui nesta Zona.


IA1 - Trailer

IA2 - Trailer


IA3 - Trailer

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