17/05/08

Screamers (1995)

Planeta Sirius 6B. Ano de 2078. Este planeta mineiro foi devastado pela guerra. Os cientistas criaram uma arma letal com base em inteligência artificial que consiste numa lâmina giratória. Estas armas, chamadas “Screamers”, que conseguem duplicar-se a si mesmas, “vivem” debaixo de Terra e têm uma única missão que consiste em eliminar todos os inimigos que encontram. Com o passar do tempo, os próprios “Screamers” conseguiram criar outro tipo de armas mais perigosas e mais evoluídas. O Coronel Hendricksson (Peter Weller, “Robocop”), líder de um grupo de sobreviventes da Aliança, está farto da maneira como os líderes políticos estão a lidar com a situação da guerra e decide negociar a paz com os soldados do NEB (New Economics Bloc). Mas o Planeta está cheio de “Screamers”, tanto originais como dos novos modelos.
“Screamers”, datado de 1995, é um filme de ficção científica distópica baseado no conto “Second Variety” de Philip K. Dick, escritor do conto “Do Androids Dream of Electric Sheep” que serviu de base ao clássico de 1982 “Blade Runner”. O argumento para este filme foi escrito por Dan O’Bannon e Miguel Tejada-Flores.
Em primeiro lugar, estamos a falar de um filme de ficção científica, centrado numa sociedade distópica, logo os exageros são típicos e bemvindos. Em segundo lugar, o orçamento para o filme era baixíssimo. Dito isto, não esperem nada ao nível do já mencionado clássico de 1982, nem nada que se pareça a filmes com orçamentos astronómicos como “Star Wars” ou “Matrix”, para mencionar alguns mais conhecidos. Não sendo excepcional, nem a nível de história (muito simples), nem a nível de efeitos especiais (poucos, mas eficazes), não deixa de ser um bom filme, bem acima da média. A actuação de Peter Weller não é digna de louvores, mas o Coronel Hendricksson está credível. Certos “blockbusters” de Hollywood têm muito menos essência e performances bem mais sofríveis do que “Screamers”. Mas claro está, isto vindo de um fã de sci-fi e logo, suspeito ao dizer isto. Recomendo apenas a fãs “diehard” do género. Os outros afastem-se rapidamente e vão alugar os filmes premiados com Oscars. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0114367/


Choyonghan Kajok / The Quiet Family (1998)

A familia Kang (pai, mãe, tio, um filho e duas filhas) compra um alojamento na montanha. Estes aguardam ansiosamente o primeiro cliente que tarda em chegar. Finalmente, um homem aluga um quarto. A excitação não podia ser maior. Mas no dia seguinte encontram o homem morto na cama. Para não chamar a policia e evitar a má publicidade para o alojamento, decidem enterrar o corpo na montanha. Mais clientes chegam e as coisas parecem estar a compor-se mas, os Kang parecem estar destinados a ter azar. Entre suicídios, assassinatos e acidentes, a contagem de corpos aumenta drasticamente. Para ajudar à confusão, a policia começa a investigar o desaparecimento de dois homens e uma nova estrada que está a ser construída vai passar precisamente no sítio onde a família está a enterrar os corpos. As coisas ficam mesmo fora de controlo.
Esta obra-prima plena de humor negro foi escrita e realizada por Ji-woon Kim, responsável por outras pérolas como “A Tale Of Two Sisters” ou “Memories” (parte de “Three Extremes 2”), por exemplo. Esta foi, aliás, a sua estreia em filme de longa duração. No elenco temos In-hwan Park (Tae-gu Kang, pai), Mun-hee Na (Mrs. Kang, mãe), Kang-ho Song (Yeong-min Kang, filho), Min-sik Choi (Chang-ku Kang , tio), Ho-kyung Go (Mi-na Kang, filha) e Yun-seong Lee (Mi-su Kang, filha).
Fusão de ambientes e ideias de inspiração Hitchcock com o típico humor Coreano pautam este filme. Não há um único momento “morto” no filme, passo a expressão. As situações mais bizarras e invulgares não param de acontecer. O sorriso, por vezes amarelo, não sai das nossas caras um único segundo. E muitas gargalhadas acompanham. E o final… é impagável. Uma das melhores cenas, de entre muitas, é quando a certo momento temos a família sentada à mesa, prestes a iniciar o seu jantar, e a falar descontraidamente sobre como as suas capacidades de cavar buracos e enterrar corpos está a melhorar. Antes demoravam horas, agora conseguem-no fazer em meia hora. Como se estivessem a falar de uma coisa normalíssima. Na televisão estão a falar de espiões Norte-Coreanos que foram apanhados em flagrante no Sul. O filho da família diz, na brincadeira, que estes mereciam era ser enterrados vivos. Toda a família ri do comentário. Hitchcock na sua pura essência! O mestre do suspense é que gostava de pôr as pessoas a falar de morte durante as refeições. E a banda sonora cheia de material das linhas Rockabilly, Horrorpunk e Gothic Rock encaixa na perfeição (à excepção de um ou dois temas algo desenquadrados), no ambiente geral do filme.
Das melhores comédia negras que vi nos últimos anos, a par de, por exemplo, “The Trouble With Harry” de Hitchcock. Recomendo vivamente a fãs deste tipo de humor, fãs de Hithcock e fãs de cinema de terror e suspense asiático em geral.
Falta ainda referir que o filme foi alvo de uma nova versão por parte do polémico realizador Japonês Takashi Miike, sob o título “The Happiness Of The Katakuris” (Katakuri-ke No Kôfuku) em 2001. Ainda não vi esta versão, mas fiquei ansioso por o fazer. Segundo parece, Miike transformou a história num bizarro musical com zombies e outros que tais. Hum… chama a atenção. Mas, para já, aconselho o visionamento desta obra-prima Sul-Coreana. 95%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0188503/

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