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16/03/08

Audition (1999) - Trailer

Audition / Ôdishon (1999)

Mais uma vez, ganhei coragem suficiente e sentei-me (des)confortavelmente a ver mais uma das realizações do polémico Takashi Miike.
Sete anos após a morte da sua esposa, Shigaharu Aoyama (Ryo Ishibashi), um produtor de televisão, a viver com o seu filho, começa a considerar a hipótese de se casar de novo. Impulsionado pelo seu amigo e colegas produtor, embarca numa louca ideia de fazer uma audição para um filme fictício e, desta maneira, ficar a conhecer uma mulher perfeita para si. Ao analisar os currículos, este fixa a sua atenção em Asami Yamazaki (Eihi Shiina) e, depois da audição, começa a encontrar-se com ela. A primeira parte do filme foca a sua atenção em Shigeharu, na audição e posterior relação de proximidade que se estabelece entre os dois. O ambiente do filme é mais dramático no início, chegando a atingir tons de romance a certo ponto. Após um fim-de-semana de férias, Asami desaparece sem deixar rasto. Shigeharu inicia uma busca obsessiva e, no decorrer da sua investigação, começa a perceber que o passado da mulher que tenta encontrar não é assim tão colorido. Recorrendo a um fabuloso uso de flashbacks, intercalado com a actualidade, ficamos a perceber melhor quem é Asami. Nesta altura o filme começa a transformar-se num thriller com um suspense e uma carga emocional muito forte que vai aumentando aos poucos de intensidade até ao final apoteótico e a uma cena de tortura brutal (Miike no seu meio natural). Exceptuando a parte final, bem ao jeito de Miike, “Audition” revela-nos uma outra faceta do realizador. Mas, apesar deste não ser um típico filme Miike, e ser mais orientado para o suspense, isso não impediu que na sua projecção no Rotterdam Film Festival 2000 se atingisse o recorde de abandonos, assim como na estreia na Suiça, uma pessoa desmaiou e necessitou de ajuda médica. Já vos chamei a atenção?
Este é daqueles raros filmes, difíceis de encontrar na actual Hollywood, que só no final deixa ver e perceber o quadro no seu todo. É estritamente necessário ver toda a película para a começarmos realmente a apreciar. E depois só temos vontade de voltar a carregar no “play” e ver tudo de novo, já com outro olhar mais “iluminado” e apanhar pequenos fragmentos que nos falharam da primeira (ou mais) vez. Para quem gosta de thrillers com uma história elaborada, performances excepcionais e uma realização genial, está é uma excelente aposta. Se são fãs de nomes como Hithcock, Argento, ou até Lynch, podem dar uma oportunidade a “Audition” e, que sabe através deste, vir a descobrir outros filmes de Takashi Miike. 80%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0235198/

13/03/08

Imprint (Masters Of Horror) (2006) - Trailer

Imprint (“Masters Of Horror”) (2006)

“Imprint” é um episódio / curta-metragem de 1 hora, realizada pelo polémico realizador Japonês Takashi Miike, e que é parte integrante da série de TV Norte-Americana “Masters Of Horror”. A ideia principal da série é convidar vários realizadores da área do terror, e que cada um seja responsável por um episódio. Dario Argento, John Carpenter, …… são alguns dos nomes envolvidos. Takashi Miike recebeu o convite também, e a sua participação resultou neste “Imprint”. Infelizmente, como habitual nos puritanos Estados Unidos, o episódio foi banido e não chegou a ir para o ar. Isto não me surpreende minimamente. Em primeiro lugar, nos Estados Unidos o mínimo fora dos padrões puritanos dos republicanos é banido. Em segundo lugar, já se sabe que o trabalho de Takashi Miike é extremamente agressivo a todos os níveis. Finalmente tive a oportunidade de ver esta preciosidade e de julgar por mim mesmo se havia razões válidas para o fazer.
Baseado numa história de Shimako Iwai (que faz uma aparição no filme como o sadístico torturador), Miike trasnporta para o ecrã uma história bizarra e violenta. Tortura, morte, prostituição, incesto, violações, abortos, fratricídio, deformações físicas, tudo faz parte de “Imprint”. Em meados do século 19, Christopher (Billy Drago, o único actor não Japonês do elenco), um jornalista Americano, viaja para o Japão para procurar a sua amada, que tinha conhecido numa das ilhas anos atrás, com a promessa de voltar para a buscar. Mas, ao chegar à ilha, o que vai encontrar é algo de bizarro, extremo, violento.
Não pode ser assim tão brutal, agressivo e chocante; pensei eu depois de ler algumas críticas que assim descreviam “Imprint”. Já vi outros filmes de Takashi Miike e aguentei. E, habitual consumidor de filmes de terror, Gore, suspense, série B, etc, não sou uma pessoa fácil de chocar ou assustar. Enganei-me redondamente! Este é um dos filmes que mais mexeu comigo até hoje.
A cena de tortura, que parece nunca mais acabar, é uma das cenas mais brutais cenas que já vi em filme. A certo ponto estava tão incomodado (mas sem consegui tirar os olhos do ecrã) que tinha um nó na garganta, o estômago revoltado, um frio intenso na espinha, as pernas a tremer e uma dor de cabeça forte. Depois disso, vários abortos são levados a cabo e os fetos são lançados ao rio. O meu estômago já não estava seguro, pior ficou. E eu, como já referi, sou consumidor habitual deste tipo de filmes violentos e intensos. Não é para estômagos fracos, aviso já! E mais não digo para não vos arruinar o visionamento. Para não variar, a realização de Miike é soberba, assim como a fotografia que realça tons de vermelho e verde, criando um ambiente ainda mais surreal e de sonho (ou pesadelo).
Se o mínimo de violência já vos incomoda, então mantenham-se afastados de “Imprint”, porque aqui não há lugar para concessões. Para os outros, corajosos o suficiente para ver “Imprint”, preparem-se para 60 dos mais intensos minutos a que alguma vez vão assistir em filme! 90%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0757061/

23/02/08

Saam gaang yi / Three… Extremes / Three Monster (2004)

"3... Extremos" (Saam gaang yi / Three… Extremes / Three Monster; 2004) é, não um filme, mas uma compilação de 3 curtas-metragens de origem asiática, existindo ainda outra recolha do género (essa fica para uma próxima). A primeira curta, "Dumplings", vem de Hong Kong e foi realizada por Fruit Chan. A segunda, "Cut", vem da Coreia do Sul e foi escrita e realizada por Park Chan-Wook (realizador de "Oldboy"). A terceira, "Box", vem do Japão e foi realizada por Takashi Miike (o mesmo do controverso filme "Ichi, The Killer", entre outros).
Pode ver-se o DVD por partes, uma curta-metragem de cada vez pois não têm qualquer relação entre si mas, na minha modesta opinião, e foi assim que eu o fiz, deve carregar-se no "play" e ver-se tudo do início até ao fim, com créditos finais incluídos.
Em "Dumplings", uma actriz procura a fonte da juventude em "dumplings" (pastéis de carne) que contêm um ingrediente secreto que, mesmo às pessoas de estômago mais forte, vai provocar alguma má disposição. E mais não digo porque só mesmo vendo!
Em "Cut", um realizador vê-se aprisionado com a sua mulher num cenário de um dos seus filmes por um fã. O suspense mantém-se durante os cerca de 40 minutos de duração. A maior parte das vezes nem sabemos se havemos de rir ou ficar com medo ao imaginar se aquilo nos estivesse a acontecer a nós. Torna-se extremamente assustador em certos momentos. Acreditem que não vão conseguir afastar o olhar do ecrã nunca, com uma certa pressão no peito e, quando acabar vão ter a sensação de que nem respiraram durante a todo o visionamento!
Finalmente, em "Box", uma escritora sonha constantemente que é envolta em plástico e que é enterrada viva e, com o decorrer do filme vamos descobrir certas coisas do seu passado. Nesta última metragem imaginem um argumento escrito por Quentin Tarantino, com influências de terror / suspense tipicamente Japonês, e realizado por David Lynch. É muito surreal e, para quem não está acostumado a cinema de suspense vindo do Japão, poderá ficar muito confuso.
Posso descrever tudo em 3 sensações sequenciais: em "Dumplings" ficamos enojados; logo ficamos assustados com "Cut" para, a seguir, ficarmos confusos com "Box". No final de tudo vão ficar a olhar para o ecrã do vosso televisor de boca aberta a pensar: "mas o que é que aconteceu aqui nestes 120 minutos?". Foi isto mesmo que me aconteceu!
Indispensável para os fãs de emoções fortes e de cinema Asiático. 90%
RDS


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