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03/11/10

Curious Stories, Crooked Symbols – The Short Stories Of Roberto Gudiño (2009) & Rue Morgue, #99, April 2010


Este DVD reúne as três curtas-metragens de Roberto Gudiño, e que passo a apresentar.
“The Demonology Of Desire”: Uma adolescente faz uma pequena brincadeira de mau gosto com um rapaz que esta embeiçado por ela. Uma historia simples, algo lugar-comum, mas bem contada e com um ponto positivo que marca todo este DVD, a realização soberba de Gudiño. Um dos pontos negativos e que mais me fez torcer o nariz a esta curta, é mesmo a actuação da actriz principal. A rapariga é mesmo enervante (aqui, não no bom sentido). Não me deixou apreciar a curta da maneira que se pretende num filme destes. E aquela criatura? Qual o seu propósito? Na minha modesta opinião, o mais fraquito dos três, mas que mesmo assim já nos da a entender muito bem do que o realizador é capaz. 65%
“The Eyes Of Edward James”:
Ah, isto sim é quase uma obra de arte. Uma excelente ideia que Gudiño transpôs para o ecrã com sucesso. Um homem recorda um homicídio sangrento através de uma sessão de hipnotismo. Mais uma vez, o realizador dá cartas e conta-nos a história de um modo cativante, intenso e poderoso. Conceito geral, realização, narrativa e fotografia, tudo está soberbo. 90%
“The Facts In The Case Of Mister Hollow”:
A obra-prima de Roberto Gudiño, na minha modesta opinião. Começa com uma fotografia em tons sépia. Esta vai rodando, como se tivesse 3 dimensões, e dando a conhecer pormenores escondidos. Um tom de humor negro apimenta a coisa. Esta é mesmo curta, mas não precisa de mais tempo. Cativa desde o início ate ao fim. Recomendo vivamente. 100%
Alem das curtas, temos ainda direito a vários “making of”, entrevistas e “video tour”. A que mais gostei foi a que nos leva aos escritórios da revista Rue Morgue. Fez-me lembrar o espírito dos velhos tempos do Underground. Revi-me neste pessoal. Começar algo do zero, sem apoios, sem incentivos por parte de outros, apenas pelo puro gozo pela cultura alternativa, seja musica, cinema ou outros. Apreciação geral do DVD: 85%

Rue Morgue, #99, April 2010
Junto com o DVD recebi ainda um exemplar da revista Rue Morgue. Este é o #99 respeitante ao mês de Abril 2010. No geral, gostei da revista. Apresentações de novos filmes, criticas, entrevistas, etc. Como a maioria das revistas, não se limitam ao cinema, mas incluem rubricas de musica, videojogos, livros, etc. Sempre com temáticas ligadas ao terror, fantasia e/ou extremos. O aspecto negativo da revista é ter muitas publicidades. Metade das páginas são dedicadas aos anúncios. Compreende-se. A revista tem de ser paga, não é assim? Este tipo de material não é comercial e vende pouco. Fora isso, lê-se bem e com muito interesse. Dura é pouco, por ser apenas metade que se aproveita. Embora as imagens dos anúncios também sejam cativantes (as paginas são todas a cores). O preço? 9.95$. Um bocado puxado, mas vale a pena pelo conteúdo. 75%
RDS

28/10/08

Chinjeolhan Geumjassi / Sympathy For Lady Vengeance (2005)

Este é um dos filmes que compõem a “trilogia da vingança” do Sul-Coreano Chan-wook Park. Até ao momento apenas tinha tido a oportunidade de ver “Oldboy” (sendo o outro filme da trilogia “Sympathy For Mr. Vengeance”), o qual já revi neste blog e me chamou a atenção para o trabalho deste senhor. Os filmes não têm nenhuma ligação, são histórias diferentes, com um elenco diferente. O único elo de ligação é a ideia da personagem principal procurar vingança a todo custo.
A história é simples e já se viu em muitos outros filmes, contada de diversas maneiras. Após 13 anos de encarceramento pelo rapto e assassínio de uma criança de 5 anos, Geum-ja Lee (Yeong-ae Lee) põe em marcha o seu plano de vingança. A pessoa de quem se quer vingar foi a verdadeira responsável pela morte da criança.
A primeira hora do filme é apresentada de uma forma quase poética, as informações vão sendo fornecidas uma a uma, na maior parte dos casos por intermédio de “flashbacks” e, aos poucos, vamos encaixando as peças e percebendo o que se passou no passado e se irá passar no presente. Até aqui, “Sympathy For Lady Vengeance” é um filme mais “ligeiro” que “Oldboy” mas, a partir de certo momento, quando já estamos a par de toda a história e do plano de Geum-ja Lee, a situação atinge contornos macabros, a tensão é imensa e torna-se quase insuportável, a situação é surreal, e apresenta-se um dilema moral, não só às personagens mas também ao próprio espectador. E se eu estivesse na mesma situação? O que faria? E no final dá-se uma mudança de comportamento incrível nas personagens, com uma dose brutal de humor negro (o cantar dos “Parabéns a Você” e a ligeireza com que encaram a recente queda de neve). Como se nada se tivesse passado. Fabuloso.
A história é relativamente simples mas está contada de uma forma soberba, para isso contribuindo muito a ajuda dos “flashbacks” bem encaixados, a edição do filme, a fotografia, a fantástica banda sonora, a excelente “performance” de Yeong-ae Lee, assim como a realização soberba de Chan-wook Park. Como bónus temos ainda Min-sik Choi (o personagem principal em “Oldboy”) como o vilão Mr. Baek. O resultado final é fenomenal e eu recomendo vivamente. 95%
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E já agora fica a informação de que se prepara mais um “remake” Norte-Americano de um filme Asiático. “Sympathy For Lady Vengeance”, uma obra-prima genial, vai ser massacrada. É isso mesmo, os nosso “amigos” USA já não conseguem fazer nada por si mesmos e têm que recorrer constantemente à reprodução das ideias de outrem. Ou será que tem a ver com o problema de não conseguirem fazer duas tarefas ao mesmo tempo (ver o filme e ler as legendas)? Hum... Penso que é um pouco dos dois. Hollywood perdeu o rumo e já não faz nada de novo ou original.
RDS

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0451094/
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Sympathy_for_Lady_Vengeance
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09/10/08

Hae-boo-hak-kyo-sil / The Cut (2007)

Mais um filme de terror Sul-Coreano que tive o (des)prazer de ver. Na verdade, a premissa deste não foge muito a aquilo que se faz no Ocidente e, faz até lembrar muito “Anatomie”. Mas, enquanto que no filme alemão lidamos com seres humanos perversos, em “The Cut” lidamos com entidades sobrenaturais e o seu desejo de vingança (claro, estamos a falar de um filme Asiático).
Um grupo de seis estudantes de medicina começa a ter sonhos e alucinações arrepiantes depois de uma aula de anatomia, na qual lhes foi atribuído o cadáver de uma bela jovem. Um a um estes vão começar a morrer de forma estranha e começam a aperceber-se de que está tudo ligado ao cadáver e ao passado da jovem. A história não é nada do outro mundo (ou talvez seja) mas está bem desenvolvida, bom argumento, excelente realização (muito importante num filme de terror com uma forte componente de suspense) e soberbas interpretações por parte de todo o elenco. Além disso, o final é inesperado, se bem que já vi reviravoltas do género noutros filmes e os mais “espertinhos” vão dizer que já estavam a prever aquele desenlace (no final do filme todos são muito espertos). Assustador, arrepiante, intenso, asfixiante, é assim “The Cut”. Manteve-me agarrado ao ecrã durante os 90 minutos que tem de duração. Uma particularidade que me faz gostar ainda mais do filme e lhe dá outra dimensão é a fusão dos elementos de terror e suspense com alguma fantasia e um ambiente gótico-romântico. Podemos ver na mesma cena sangue e pétalas de flores ou ainda um cadáver rodeado de cores de tonalidades mais “alegres” como azul, verde ou vermelho. A fotografia representa um grande papel nesta fantástica película Sul-Coreana. Este contraste da morte e do macabro com a beleza da juventude e tons românticos chama a atenção e afasta “The Cut” dos seus pares. Gostei muito e recomendo vivamente, quanto mais não seja pela cinematografia exemplar. 90%
RDS

HanCinema:
http://www.hancinema.net/korean_movie_The_Cut.php

03/06/08

Chakushin Ari / One Missed Call (TV) (2005)

Depois de ter visto a trilogia de filmes, e de ter gostado imenso, eis que me surge a oportunidade de pôr as mãos (e olhos) na série de TV (ou Dorama, como é apelidada no Japão). Em termos de edição oficial, esta surge entre o 2º e o 3º filme. Ao todo são 10 episódios, com uma duração individual de 45 minutos, que seguem a mesma premissa dos filmes. A grande diferença é que este Dorama é mais direccionado para o mistério-suspense-policial do que propriamente para o terror puro (leia-se: J-Horror). Mas não se preocupem os fãs “diehard” do J-Horror pois há terror em boas doses. Muito humor (tipicamente Japonês) à mistura e algum drama (sem chegar ao usual melodramatismo asiático) ajudam a condimentar. Alguns dos efeitos especiais é que deixam algo a desejar, mas claro está, estamos a lidar com uma série de TV e não com um filme de alto orçamento. Mas também não é nada que arruíne o visionamento. Há até alguns efeitos (mais na linha do terror) que estão ao mais alto nível do que estamos habituados no género vindo do Japão. Os actores e actrizes estão, como habitual numa produção Japonesa, excelentes. Mas, como é evidente, o espectador tem de estar habituado a cinema/TV e/ou cultura nipónica em geral para poder apreciar os comportamentos, algo bizarros para um ocidental. O argumento é excelente, está muito bem escrito, com muitas reviravoltas interessantes, conseguindo agarrar o espectador do início ao fim de cada episódio, e deixando-o “pendurado” no final, ansiando por mais. O final (da série) é ambíguo. Deixa-nos a pensar um pouco. Coisa habitual no J-Horror, eu sei. Eu achei, no mínimo, interessante, embora estivesse à espera de outro tipo de final, deixando-me este algo desiludido. Mas não de todo.
Outro tópico que não posso deixar de referir é a faixa musical que encerra cada episódio. Trata-se da faixa “Heart” da “girls band” japonesa D.D.D. É extremamente “catchy” e viciante. Eu a gostar de uma faixa Pop e, ainda por cima, interpretada de uma “girls band”? É claro que se trata de J-Pop, por isso, deixo passar, he, he. Brincadeiras à parte, é mais que certo que se gostarmos de um filme ou de uma série de TV, acabaremos por ficar viciados também na sua música, mesmo que não faça parte do nosso universo musical de preferência. Foi o que aconteceu neste caso. Ainda vos deixo aqui o videoclip da mesma para vosso deleite (ou para que deixem as vossas queixas, he, he).
No geral, valem a pena os 450 minutos que se passam em frente ao ecrã. Para os fãs da trilogia de filmes. 80%
RDS

Website Oficial:
http://www.tv-asahi.co.jp/chakushin/
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1015573/
Chakushin Ari - Excerto


D.D.D. - Heart (Chakushin Ari OST)

28/05/08

Pon / Phone (2002)

A jornalista Ji-won (Ji-won Ha) escreveu alguns artigos sobre pedofilia e, por isso mesmo, está ser alvo de chamadas telefónicas ameaçadoras por parte de pessoas envolvidas no escândalo. Esta tira um tempo livre do seu trabalho e vai viver durante uns tempos para a casa nova, ainda desabitada, de uma amiga. A filha do casal amigo, Young-su, atende o telemóvel de Ji-won e dá um grito de susto, passando a comportar-se de uma forma estranha e assustadora depois do sucedido. A criança começa a demonstrar uma atracção obsessiva pelo pai e a odiar a mãe. Entretanto, Ji-won continua a receber chamadas e mensagens, mesmo depois de mudar de número. Esta inicia uma investigação para saber mais sobre o passado do seu actual número e descobre que os anteriores donos ou desapareceram, ou morreram em circunstâncias misteriosas. Ao procurar informações sobre a primeira pessoa desaparecida, Jin-hee, descobre que esta era uma adolescente que estava obsessivamente apaixonada por um homem mais velho e casado. Os segredos começam a desvendar-se.
Não vou estar a revelar muito mais da trama, pois este é um filme que tem de ser ir vendo e juntando certas peças. Misto de policial, thriller e terror, este filme da Coreia do Sul é protagonizado por Ji-won Ha (“Sex Is Zero”, “100 Days With Mr. Arrogant” ou “Duelist”, entre outros). Já aqui fiz comentários às capacidades, ou falta delas, desta jovem actriz. Ora vejo um filme onde esta me desilude totalmente, ora vejo um filme onde esta está irrepreensível. Este é um dos filmes onde Ji-won consegue uma boa performance. Quanto ao filme em si, apesar de ter um enredo algo complexo, este não é assim tão difícil ou confuso como outros filmes asiáticos de terror ou suspense que tenho visto. Pelo menos não o é pelos padrões asiáticos, pois este “Phone” está mais próximo de um thriller sobrenatural Norte-Americano do que de um Sul-Coreano. O argumento é bom, o ambiente é intenso, tem muito suspense, revilravoltas não esperadas e uma actuação fenomenal de Ji-won e, principalmente, de Seo-woo Eun (a filha do casal). Não é uma obra-prima, mas vale a pena os 100 minutos e, se gostam do género, não os vão dar por perdidos, acreditem. 85%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0323630/

09/05/08

Mou Gaan Dou / Infernal Affairs – Trilogia (2002 & 2003)

Mou Gaan Dou / Infernal Affairs I (2002): Chan Wing Yan (Tony Leung) é um polícia infiltrado nas tríades de Hong Kong. Do mesmo modo, Lau Kin Ming (Andy Lau), membro de uma tríade, infiltra-se na polícia. Chan encontra-se infiltrado há vários anos e tem vindo a subir na hierarquia da tríade. Também o Inspector Ming tem vindo a subir na sua carreira, até ao ponto de ser encarregado dos “Assuntos Internos” (“Internal Affairs”) para, imagine-se, encontrar a “toupeira” que a tríade tem na força de polícia. Ambos vão informando os seus respectivos chefes, respectivamente o Superintendente Wong Chi Shing (Anthony Wong) e Sam (Eric Tsang), dos seus passos no campo inimigo. Chan quer deixar de ser infiltrado, mas apenas o Superintendente Wong sabe a sua verdadeira identidade, a qual guarda no seu computador, numa ficha que está fechada com uma senha. Tanto Chan como Ming, mas principalmente Ming, começam a ficar confusos sobre a sua vida e o seu papel principal. Começam a questionar-se se estão de um lado ou do outro. Chan já não sabe se é bom ou mau. Ming também começa a pensar apagar o seu passado para passar a ser um polícia de verdade. Os dois lados da equação, polícia e tríade, tentam desesperadamente apanhar a “toupeira” que está no seu lado. Chan e Ming são apanhados num turbilhão de situações extremamente difíceis.
Além dos nomes atrás mencionados, outros nomes da cena de Hong Kong fazem parte deste fantástico policial, tais como: Lam Ka Tung, Ng Ting Yip, Wan Chi Keung, Dion Lam, Chapman To, Edison Chen, Shawn Yue, etc. Todos os actores e actrizes estão ao mais alto nível, principalmente Tony Leung, Andy Lau e Anthony Wong. O argumento é fantástico. Além da complexidade do mesmo a nível da história central, as personalidades das personagens são muito bem exploradas, o que dá uma dimensão mais humana às mesmas. A certo ponto do filme estamos tanto do lado de pessoas da polícia como da tríade. Mesmo sabendo o que algumas delas fazem ou fizeram! É difícil, a certo ponto, distinguir entre o bem e o mal. Nem mesmo as personagens o sabem fazer. E a vida real é mesmo assim. Num filme do género, vindo de Hollywood, temos o bom que é mesmo bonzinho, e o mau da fita que é mesmo mauzão. Aqui temos situações reais, com diversos tons de cinzento. Isso deixa-nos a pensar, e muito, sobre algumas das atitudes das personagens. A realização, essa é soberba. A banda sonora de Chan Kwong Wing é um excelente complemento ao drama, à tensão e à acção do filme. Um dos melhores policiais, se não o melhor, que vi nos últimos anos. Recomendo vivamente. 95%
IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0338564/

Mou Gaan Dou II / Infernal Affairs II (2003): O volume II de “Infernal Affairs” é uma prequela onde se apresentam os passados das várias personagens. Aqui ficamos a saber muito do que aquilo que nos foi dado a conhecer no filme original. As personagens principais Ming e Chan, aqui mais jovens, são representadas por Edison Chen e Shawn Yue, respectivamente. Apesar de não terem a experiência dos seus pares Lau e Leung, os jovens safam-se muito bem e conseguem transpor para o ecrã as personalidades das suas personagens. A história neste 2º volume inicia com a expulsão de Chan Wing Yan (Shawn Yue) da academia de polícia. Como já é conhecido do 1º filme, o Superintendente Wong incumbiu-lhe a tarefa de se infiltrar numa tríade de Hong Kong liderada pelo seu meio-irmão Ngai Wing-Hau (Francis Ng, numa prestação ao mais alto nível, tal como os outros actores). Quanto a Ming, a trabalhar para Sam e a sua esposa Mary Hon (Carina Lau), foi-lhe dada a tarefa de matar o pai de Hau e infiltrar-se na polícia. Não tão bom quanto o primeiro, mas mesmo assim muito acima da média, este “Infernal Affairs II” revela-nos o passado das personagens que conhecemos de IA-I e outras “novas” (é uma prequela!) que nos vão ajudar a perceber melhor todo o enredo, as personagens, as interacções entre as mesmas, e muitos outros pormenores. Quem gostou do primeiro, continue com este que continua bem! 80%
IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0369060/

Mou Gaan Dou III: Jung Gik Mou Gaan / Infernal Afairs III (2003): A terceira e derradeira etapa desta fantástica trilogia policial de Hong Kong. Neste voltamos a ponto em que ficamos no final do primeiro filme. Ming (Andy Lau de novo a encarnar a sua personagem), ainda a trabalhar nos “Assuntos Internos”, suspeita que o Superintendente Yeun Kam Wing (Leon Lai) é uma “toupeira” das tríades. É neste, e noutros pressupostos secundários, que se centra parte da acção de AI-III. A outra parte do filme é composta por complementos em forma de “flashbacks”. Em AI-III temos quase todas as personagens dos dois filmes anteriores a fazerem aparições, mesmo as que morreram, pois muitas coisas que não sabemos são contadas nos já referidos “flashbacks” que nos fornecem informações complementares para a globalidade da história. Preparem-se para estar com muita atenção porque as coisas podem ficar muito confusas com os constantes, e principalmente aleatórios, saltos no tempo. Um dos pontos que gosto muito neste AI-III é a interacção entre Chan (Tony Leung) e a sua psicóloga Lee Sum Yee (Kelly Chen). São passagens mais ligeiras e engraçadas que ajudam a descontrair, ainda que por breves momentos, de toda a tensão e drama que envolve a história geral.
Ao contrário da maioria das trilogias feitas nos USA, nas quais o 3º filme é um fechar da história e tem um final com um clímax exagerado, aqui o 3º filme serve para complementar. Depois de ver AI-III ficamos com uma perspectiva mais alargada de tudo. Este é, portanto, um filme que não pode ser visto “sozinho”. Tem de se ver obrigatoriamente depois de AI-I e AI-II. Uma boa maneira de fechar a trilogia. 80%
IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0374339/

Nota à parte: “The Departed”, o já obrigatório remake Norte-Americano? Ainda não vi. Até hoje ainda estou reticente. Mas vou apanhar coragem e faço-o qualquer dia destes. Depois faço uns comentários aqui nesta Zona.


IA1 - Trailer

IA2 - Trailer


IA3 - Trailer

09/04/08

Jam Films (2002)

“Jam Films” é uma antologia de 7 curtas-metragens. A linha oscila entre a ficção-científica, a comédia e o drama. A ideia é dar a conhecer o trabalho de novos talentos no cinema Japonês. Na sua grande maioria, estas curtas têm uma mensagem subentendida. Não vou estar a dissecar cada um dos temas retratados. Vou apenas dar-vos umas curtas sinopses e um breve comentário. Vejam e tirem as vossas próprias conclusões.

Intro: Inicia com uma introdução de CGI. Um cenário bem psicadélico em formato de videoclip. Simples mas eficaz.

1º Curta – The Messenger: Escrita e realizada por Ryuhei Kitamura. Ficção-científica / Thriller / Suspense. Um chefe do submundo é visitado por uma misteriosa mulher apelidada de “The Messenger”. Esta tem uma função importante e vai revelar ao mafioso algo importante sobre o seu destino. Excelente argumento e realização por parte de Kitamura. A fotografia, apesar de assentar em tons escuros (bem patentes na própria história), é um regalo para a vista. A cena do tiroteio é também assombrosa. A tensão mantém-se do início ao fim. Fabuloso. A minha favorita de toda a antologia. 95%

2º Curta – Kendama: Escrita e realizada por Tetuso Shinohara. Comédia. Um homem recebe um presente do seu patrão por ter ganho o campeonato de Sumo da empresa. Trata-se de um Kendama. Este não liga ao objecto e dá-o à sua colega. Mas depois volta atrás e quer o Kendama de volta. Mas ela não o devolve e começa a fugir. No decorrer da perseguição vai de encontro a um jovem que leva um saco com cebolas para casa. Os sacos trocam-se. Uma série de hilariantes encontros e desencontros tem início. Hilariante. A minha segunda favorita em “Jam Films”. Sem bem que eu ainda adicionaria uns 5 segundos ao final. Vejam e depois vão ter o mesmo pensamento que eu tive. 85%

3º Curta – Cold Sleep: Escrita e realizada por George Ida. Ficção-científica / Comédia. Um homem acorda de forma abrupta dentro de uma máquina de criogenia. Esta por sua vez encontra-se numa sala de uma escola primária. O homem está confuso e não sabe quem é ou onde está. Vê outras pessoas mas estas comportam-se de uma forma infantil. Todas excepto uma jovem que o vai informar do que se está a passar. Estes fazem parte de uma elite terrestre que tem de repovoar outro planeta. Mas as intenções de quem os enviou são bem diferentes. Sarcástico. Gostei, mas não é dos meus favoritos. 65%

4º Curta – Pandora / Hong Kong Leg: Escrita e realizada por Rokuro Mochizuki. Drama / Suspense. Uma mulher tem um segredo. Sofre de pé-de-atleta. Esta procura uma cura milagrosa na medicina Chinesa. Um homem encerrado numa caixa lambe os pés da mulher. Esta fica obcecada pelo homem que não conhece. De tons semi-eróticos mas bizarros. Gostei. Isto já é o tipo de material bizarro que espero do Japão. 75%

5º Curta – Hijiki: Escrita e realizada por Yukihiko Tsutsumi. Drama / Thriller / Comédia negra. Esta história tem um final depressivo. Se não quiser ver, faça uma pausa. È assim que o realizador introduz Hijiko. Fiquei imediatamente com a sensação de que iria ver algo esquisito. Um homem tem como reféns duas mulheres e uma garota. Estão sentados a comer Hijiko (daí o título do filme). A polícia tem o prédio circundado. Ficamos a conhecer o passado das personagens. As reféns tentam convencer o homem a entregar-se num momento e no outro pedem-lhe para as matar porque a sua vida não vale nada. A miúda está impávida e serena. Insulta até o sequestrador. O final é inesperado. Gostei muito deste. Mas um daqueles filmes que só poderia vir do Japão. Surreal e algo bizarro mas embalado em tons de comédia negra. 80%

6º Curta – Justice: Escrita e realizada por Isao Yukisada. Comédia. Um liceu. Enquanto decorre uma aborrecida aula de inglês, na qual se estuda o “Potsdam Declaration”, vários alunos tentar passar o tempo da “melhor” maneira. Quem se lembra dos seus tempos de liceu vai, com certeza, identificar-se com estes jovens. Um dos jovens em particular inicia um registo de pontuações. Este observa as raparigas na aula de educação física a saltar barreiras. Três equipas (vermelha, azul e verde) representam as cores dos calções de ginástica. Um ponto para cada equipa por ajeitar os calções depois de saltar as barreiras. Hilariante, mas com uma mensagem subliminar que inclui a já referida “Potsdam Declaration”. No entanto, algo difícil de assimilar a ideia principal por detrás deste “Justice”. Tenho de rever este com atenção. 80%

7º Curta – Arita: Escrita e realizada por Shunji Iwai. Drama. Desde pequena que a jovem protagonista vê uma personagem chamada Arita aparecer nos seus livros de escola, nos seus desenhos, etc. O que é Arita. Está viva ou não? Será imaginação sua? As outras pessoas não parecem conseguir ver Arita. Algo surreal esta curta. Mais uma daquelas histórias que só podiam ter saído da cabeça de um Japonês. Mais uma vez, uma mensagem implícita. 65%

Geral: 80%

RDS

IMDB:
http://imdb.com/title/tt0385791/

05/04/08

Jisatsu Saakuru / Suicide Club / Suicide Circle (2002)

Uma estação de metropolitano é palco de um suicídio colectivo. Cinquenta e quatro raparigas, de vários liceus, atiram-se para a linha de comboio no preciso momento em que este está a passar. Mas este não é um caso único. É apenas o início de uma série de suicídios colectivos e individuais. As pessoas (de uma maneira geral adolescentes) começam a agir de uma forma estranha. O detective Kuroda (Ryo Ishibashi) inicia uma investigação que parece não ter fim. Um grupo Pop de pré-adolescentes aparece constantemente na televisão e na rádio. Estarão relacionados? Será uma onda de crimes ou não? Existirá mesmo um “clube de suicídio”?
Segundo sei, o argumentista / realizador Sion Sono é mais conhecido por peças de teatro experimentais algo polémicas. Sono filmou muitas das cenas de “Suicide Club” em sessões de improviso, deixando os actores agir à vontade como se estivessem na vida real. Talvez sejam estes alguns dos motivos que fazem “Suicide Club” tão surreal, estranho, quase psicadélico, com um forte toque avantgarde e “artsy”. Outro motivo de interesse, algo mórbido evidentemente, é que a estação onde decorre a cena inicial existe na realidade e foi já local de variadíssimos suicídios. De tal forma que as autoridades aplicaram uma taxa de suicídio na dita estação para evitar tanto os ditos suicídios como os atrasos dos comboios.
Fiquei algo baralhado ao ver este filme e, mesmo agora, ainda não sei o que pensar. Desiludiu-me de certa maneira. Talvez estivesse à espera de outra coisa completamente diferente. O filme lida com diversos assuntos, desde o suicídio, auto-estima, fama, poder dos “media”, etc. Podem ver no “link” do IMDB do filme diversos comentários, cada um com um ponto de vista completamente diferente. Cada pessoa tem a sua interpretação de “Suicide Club”. Um ponto algo comum e com o qual concordo, é que o filme não pode ser apreciado se não se tiver em conta o factor cultural. O Japão é um país completamente diferente, quase um mundo à parte do resto do planeta. Os conceitos, ideias, e modos de os encarar, de vida, morte, vida após a morte, suicídio, trabalho, pressão do dia-a-dia, cultura ancestral, tudo contribui para uma análise mais elaborada. Percebo algumas coisas, até certo ponto, mas outras escapam-me ou não têm lugar no meu raciocínio ocidental. Como disse, cada pessoa interpreta à sua maneira os diversos temas aqui explorados, por isso, vejam o filme e tirem as vossas próprias conclusões. Mas preparem-se! Não é um filme fácil. Nem a nível visual (muita violência e até algum Gore marcam presença), nem intelectual (a violência e crueza com que assuntos, de certa forma tabu, são retratados). Ficam avisados. Uma coisa é certa: este filme nunca seria feito nos puritanos Estados Unidos. Se querem, e aqui uso o termo anglo-saxónico, “food for thought” (alimento para a mente), então esta é uma boa opção. Eu, pessoalmente, terei de o voltar a ver uma segunda e/ou terceira vez para melhor o assimilar. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0312843/

28/03/08

Witchfinder General (1968)

Século XVII. A Inglaterra está dividida pela guerra civil. Os monarquistas lutam contra o partido parlamentar pelo controle da nação. Este conflito distrai o povo do pensamento racional e permite que homens sem escrúpulos ganhem o poder local explorando superstições aldeãs. Um destes homens é Matthew Hopkins (Vincent Price), que percorre o país oferecendo os seus serviços como caçador de bruxas. Ajudado pelo seu sádico cúmplice John Stearne (Robert Russell), viaja de cidade em cidade extraindo confissões a “bruxas” com o único intuito de encher os bolsos e receber favores sexuais. Quando Hopkins condena o Padre John Lowes (Rupert Davies) por bruxaria, e subjuga a sobrinha deste, Sarah Lowes (Hilary Heath), acaba por ser alvo da fúria de Richard Marshall (Ian Ogilvy), noivo da rapariga. Arriscando ser condenado por fuga aos seus deveres militares, Richard persegue Hopkins e Stearne.
Fusão de thriller e terror, toques de western e dos filmes da Hammer. Esta obra-prima, baseada em factos reais, é tida como um dos filmes mais violentos alguma vez feitos no Reino Unido. Não pelas directrizes actuais, como é evidente, não se trata de um filme de terror puro, muito menos Gore. São os temas retratados, alguns deles até tabu, que criam o ambiente denso do filme e nos fazem pensar. Abuso de poder, corrupção, política, religião, superstição. Século XVII? As ideias e conceitos deste filme mantêm-se actuais. Obscuro, soturno, denso, agressivo. Uma obra-prima. Vincent Price, como sempre, está irrepreensível no papel do famigerado Hopkins. Price reencarna na perfeição a perfídia, malignidade, falta de escrúpulos e moral de Hopkins. Perfeito! Aliás, todo o elenco está soberbo. A realização de Michael Reeves é também um dos factores que eleva este filme a um patamar superior. E, segundo parece, Price e Reeves não se entendiam muito bem, existindo alguma tensão entre ambos o que, em parte, ajudou ao ambiente negro do filme. Pena é que o realizador Michael Reeves tenha deixado o mundo dos vivos tão cedo (devido a uma overdose de barbitúricos). Tinha apenas 25 anos de idade e deixou 4 filmes para a posteridade. Mas antes de nos deixar, ofereceu-nos esta obra-prima, “Witchfinder General”. “My name is Hopkins. Witchfinder”. Uma frase que fica na história do cinema. 100%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0063285/

27/03/08

Colour Of The Truth (2003) - Trailer

Hak Bak Sam Lam / Colour Of The Truth (2003)

Wong Jiang (Anthony Wong) e Qi Xi “Seven Up” (Lau Ching Wan) são dois investigadores da policia de Hong Kong. Qi Xi trabalha como informador para as tríades e como cúmplice do senhor do crime Blind Chiu (Francis Ng). Wong tem provas para incriminar Blind Chiu, mas Qi Xi interfere e fornece abrigo ao criminoso. Depois de uma perseguição, que acaba num telhado (qual é a dos policiais de Hong Kong e os telhados?), os 3 homens confrontam-se. Blind Chiu e Qi Xi acabam mortos. Sem haver testemunhas (nem mesmos nós, porque o desenrolar da cena é filmada da rua, sem mostrar o que se passa, apenas o som dos tiros), o relatório final indica que Qi Xi morreu no cumprimento do dever. Anos mais tarde, o seu filho Chan Lok-Yin “Cola” (Ho-Yin Wong) integra as forças policiais e acaba sob o comando de Wong Jiang. Assumindo que este é culpado da morte de seu pai, jura vingança. Mas não e só ele, e Ray (Jordan Chan), filho de Blind Chiu, propõem-lhe uma vingança conjunta. As habituais voltas e reviravoltas marcam “Colour Of The Truth” e, até bem perto do final, ficamos na dúvida sobre o que realmente aconteceu naquele dia naquele telhado.
Acusado de ser uma cópia de “Infernal Affairs”, o que a meu ver, não tem razão de ser, o filme consegue ficar acima da média. Não sendo um dos melhores policiais vindos de Hong Kong (prolífico neste tipo de filmes), este “Colour Of The Truth” é, mesmo assim, um grande filme policial com toques de thriller, muita acção, uma história interessante, actuações irrepreensíveis e uma realização soberba (Marco Mak e Jing Wong). Além dos nomes já referidos, temos a participação de inúmeras caras conhecidas da cena de Hong Kong, seja em “cameos” ou papéis secundários.
Só é pena as legendas em inglês estarem uma grande porcaria. Em algumas passagens (tal como na cena inicial no telhado) não se percebia muito bem o que as personagens estavam a falar. Num filme em que o diálogo, as personalidades e a interacção entre as personagens são peças fundamentais, este tipo de falhas perturbam muito a compreensão do filme. Mas, com algum esforço intelectual, as coisas compõem-se e percebe-se bem o filme. Para fãs de policiais de Hong Kong e policiais / thrillers em geral. Eu, na minha reduzida sabedoria cinéfila, recomendo. 75%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0375669/

[Escrito ao som de Dropkick Murphys “Singles Collection Volume 2 – 1998-2004” (Hellcat / Epitaph 2005)]

Shutter (2004) - Trailer

Shutter (2004)

Um jovem fotografo chamado Tun (Ananda Everingham) e a sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) atropelam uma rapariga ao regressar de uma jantar com um grupo de amigos. Tun convence Jane, que ia a guiar o carro, a fugir do local sem ajudar a vítima. Após este incidente, Tun começa a ver sombras misteriosas nas suas fotografias. Depois de fazer algumas investigações, este descobre que a rapariga atropelada era uma Natre (Achita Sikamana), ex-namorada e ex-colega de faculdade. No decorrer dos eventos, Jane descobre que o seu namorado esconde uma parte do seu passado que envolve Natre e o seu grupo de amigos.
Parece que não é só do Japão e da Coreia Do Sul que vêm os grandes filmes de terror e suspense. A Tailândia já está a ser responsável por uma série de filmes, com este “Shutter” à cabeça, que rivalizam com os seus pares Japoneses e Coreanos. “Shutter” é um filme intenso, assustador, perturbador. Já li algumas críticas e comentários que o apontam como um dos melhore filmes asiáticos de terror desde “Ju-On” e “Ringu”. Não posso senão concordar com a afirmação. Há já algum tempo que não via um filme tão assustador como este. Segundo parece, os realizadores, Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom estão na casa dos 20s e este é apenas o seu primeiro filme. Se é isto que conseguem na sua primeira experiência cinematográfica, então aguardo ansioso por mais trabalhos destes senhores. Promissores sem dúvida.
Para variar um pouco, o remake nos Estados Unidos é já uma realidade. Que fazer? Cópias medíocres de obras-primas? Gostaria de dizer que me passam ao lado mas eu, como consumidor impulsivo de cinema, gosto de ver tudo e depois comparar. No entanto, remakes à parte, o original estará sempre disponível para nós cinéfilos. Altamente aconselhável. 90%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0440803/

[Escrito ao som de Doomsword “Doomsword” (Underground Symphony 1999)]

20/03/08

Anatomie 1 & 2 (2000/2003)

Anatomie (2000)
Paula Henning (Franka Potente), uma estudante de medicina, consegue uma colocação na escola de medicina de Heidelberg. Quando o corpo de um jovem que ela conheceu na viagem de comboio aparece na mesa de vivisecção, esta inicia uma investigação para apurar as misteriosas causas da sua morte, acabando por descobrir uma conspiração perpetrada por uma obscura organização anti-hipocrática, que opera na própria escola, e que realiza experiências em vítimas ainda vivas. Quando ela está prestes a desmascarar esta sociedade de contornos neo-nazis, a sua colega Gretchen (Anna Loos) torna-se vítima da mesma, encontrando-se Paula também em perigo iminente.
Outros nomes que figuram no elenco, talvez desconhecidos pela maioria dos leitores, são Benno Fürmann, August Diehl, Herbert Knaup, Heike Makatsch, Sebastian Blomberg ou Holger Speckhahn.
A meio caminho entre thriller psicológico e slasher, este filme germânico ganha alguns pontos pela ideia principal ser original, no entanto perde alguns por ser algo derivativo, pois em muito fica a dever aos seus pares vindos do outro lado do Atlântico. A mim causou-me alguma sensação pois eu tenho algum pavor a objectos cortantes. E aqui estamos a falar de bisturis bem afiados a cortar carne humana! De qualquer modo, apesar de algumas falhas, é uma alternativa válida ao já gasto filme de terror / slasher / thriller de Hollywood. Pois é meus amigos, não é só dos Estados Unidos que vêm bons filmes, qualquer que seja o género. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0187696/


Anatomie 2 (2003)
Jo Hauser (Barnaby Metschurat) viaja para Berlim para se tornar interno numa clínica de prestígio. O seu objectivo é fazer investigação médica para poder ajudar o seu irmão Willi Hauser (Hanno Koffer), o qual tem uma doença hereditária degenerativa que causa paralisia progressiva do corpo e eventual morte. Com este mesmo propósito, junta-se a um grupo de investigação liderado pelo Professor Charles Müller-LaRousse (Herbert Knaup), que está a fazer pesquisas sobre o uso de músculos biónicos em seres humanos mas que o faz, no entanto, sem nenhum ética ou respeito pelas leis. Os próprios membros da equipa são voluntários para as experiências. Esta equipa de investigação, pertencente à AAA, a mesma sociedade anti-hipocrática do primeiro filme, está sob a investigação de Paula Henning (Franka Potente com uma participação especial) que entretanto integrou a polícia e está encarregue do caso. Quando Jo começa a ficar viciado em drogas usadas nas experiências, percebe o que realmente os propósitos que movem a sociedade.
A linha é semelhante à do primeiro filme, embora com algumas diferenças, pois contém menos gore e está mais direccionado para o suspense do que o anterior, que é mais directo e visual. É aqui que reside algum do interesse desta sequela, a tentativa de se destacar do original. Apesar de algumas falhas, e alguns pormenores um tanto ridículos, a meu ver, é uma boa sequela. Não é uma obra-prima, aliás está longe disso, mas é um filme minimamente interessante para quem gosta do género. 60%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0312358/

16/03/08

Audition (1999) - Trailer

Audition / Ôdishon (1999)

Mais uma vez, ganhei coragem suficiente e sentei-me (des)confortavelmente a ver mais uma das realizações do polémico Takashi Miike.
Sete anos após a morte da sua esposa, Shigaharu Aoyama (Ryo Ishibashi), um produtor de televisão, a viver com o seu filho, começa a considerar a hipótese de se casar de novo. Impulsionado pelo seu amigo e colegas produtor, embarca numa louca ideia de fazer uma audição para um filme fictício e, desta maneira, ficar a conhecer uma mulher perfeita para si. Ao analisar os currículos, este fixa a sua atenção em Asami Yamazaki (Eihi Shiina) e, depois da audição, começa a encontrar-se com ela. A primeira parte do filme foca a sua atenção em Shigeharu, na audição e posterior relação de proximidade que se estabelece entre os dois. O ambiente do filme é mais dramático no início, chegando a atingir tons de romance a certo ponto. Após um fim-de-semana de férias, Asami desaparece sem deixar rasto. Shigeharu inicia uma busca obsessiva e, no decorrer da sua investigação, começa a perceber que o passado da mulher que tenta encontrar não é assim tão colorido. Recorrendo a um fabuloso uso de flashbacks, intercalado com a actualidade, ficamos a perceber melhor quem é Asami. Nesta altura o filme começa a transformar-se num thriller com um suspense e uma carga emocional muito forte que vai aumentando aos poucos de intensidade até ao final apoteótico e a uma cena de tortura brutal (Miike no seu meio natural). Exceptuando a parte final, bem ao jeito de Miike, “Audition” revela-nos uma outra faceta do realizador. Mas, apesar deste não ser um típico filme Miike, e ser mais orientado para o suspense, isso não impediu que na sua projecção no Rotterdam Film Festival 2000 se atingisse o recorde de abandonos, assim como na estreia na Suiça, uma pessoa desmaiou e necessitou de ajuda médica. Já vos chamei a atenção?
Este é daqueles raros filmes, difíceis de encontrar na actual Hollywood, que só no final deixa ver e perceber o quadro no seu todo. É estritamente necessário ver toda a película para a começarmos realmente a apreciar. E depois só temos vontade de voltar a carregar no “play” e ver tudo de novo, já com outro olhar mais “iluminado” e apanhar pequenos fragmentos que nos falharam da primeira (ou mais) vez. Para quem gosta de thrillers com uma história elaborada, performances excepcionais e uma realização genial, está é uma excelente aposta. Se são fãs de nomes como Hithcock, Argento, ou até Lynch, podem dar uma oportunidade a “Audition” e, que sabe através deste, vir a descobrir outros filmes de Takashi Miike. 80%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0235198/

Reincarnation (2005) - Trailer

Reincarnation / Rinne (2005)

Em 1970, um professor universitário assassina os dois filhos menores, assim como os empregados e hóspedes do hotel onde está a passar férias. Passados 35 anos, o realizador de filmes de terror e suspense Ikuo Matsumura (Kippei Shiina) está a trabalhar num filme baseado no crime. Yuka (Nagisa Sugiura), uma jovem actriz que tem o papel principal, começa a ver fantasmas durante a gravação do filme. Fantasmas que, ficamos a saber mais tarde, são os das vítimas envolvidas no já referido crime. Com o decorrer do filme somos levados a pensar que Yuka poderá ter alguma relação com uma das vítimas, mas propriamente da maneira que estamos a pensar… As vítimas clamam por vingança. Vejam e depois percebem.
“Reincarnation” tem um final surpreendente. Dos melhores que vi nos últimos tempos num filme e que acaba por atribuir à história outra profundidade. A cena das “prendas” oferecidas a Yuka, no final, é arrepiante. Não no sentido de assustar ao ponto de “dar um pulo na cadeira” mas, mais uma vez é a ideia em si e a sua compreensão. Vejam e depois percebem o que eu quero dizer.
Como habitual nos filmes Japoneses (e Asiáticos em geral) de terror e suspense, depois das revelações que nos levam a perceber muitas das pontas que ficaram soltas durante o filme, levamos com uma reviravolta que nos deixa surpreendidos e que nos leva a reorganizar os nosso pensamentos de outra maneira. Mas mesmo no fim temos ainda direito a outra reviravolta que nos remete de novo para uma reestruturação da nossa análise. É nisto que reside o meu gosto intenso por terror e suspense asiático, o facto de se recusar a dar-nos as coisas todas explicadinhas, mas sim levar-nos a pensar. E muito!
Embora contenha muitos elementos típicos do J-Horror, “Reincarnation” é mais um thriller sobrenatural do que propriamente um filme de terror. Não nos deixa perceber à primeira o que está a acontecer, e não percebemos muito bem o porquê do título do filme mas, aos poucos, vamos descobrindo o que nos querem dizer, até chegar à revelação climática, consequente reviravolta e final surpreendente.
Não me assustou particularmente pois é mais, como já referi, um thriller psicológico de contornos sobrenaturais do que propriamente terror puro. Ou talvez esteja a ficar um pouco dos elementos que se estão a tornar cliché no J-Horror, tais como a imagem do menino(a) com o rosto pálido, cabelo sobre a cara e um olhar demoníaco; fantasmas que aparecem em segundo plano; entre outros. De qualquer modo “Reincarnation”, escrito e realizado por Takashi “Ju-On” Shimizu (com a colaboração no argumento de Masaki Adachi), é um filme que irá agradar a fãs do género. Aconselho vivamente. 85%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0456630/

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