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06/04/16

Chiller: The Complete Television Series (Synapse Films, 2xDVD, 2012)



“Chiller” foi uma série de TV, em formato de antologia, composta apenas por 5 episódios. Foi exibida originalmente em 1995 na Inglaterra. São cinco histórias que combinam terror e fantasia reminiscentes de antologias televisivas clássicas como “Twilight Zone” ou “One Step Beyond”. No elenco constam nomes como Nigel Havers (Chariots of Fire, Coronation Street), Martin Clunes (Men Behaving Badly), Sophie Ward (Young Sherlock Holmes) ou Kevin McNally (Pirates of the Caribbean), assim como o talento dos realizadores Lawrence Gordon Clark, Anthony Horowitz e Glenn Chandler.

Os episódios são os seguintes:
PROPHECY: Uma mulher participa numa sessão espírita com um grupo de amigos. Todos eles recebem profecias que lhes dizem respeito. Cinco anos mais tarde, as profecias começam a tornar-se realidade.
TOBY: Uma mulher grávida perde o feto num acidente de viação. Mais tarde descobre que está de grávida de novo mas, uma ecografia revela que não é essa a realidade. Esta fica convencida de que está a ser assombrada pelo espírito maligno do feto que perdeu.
MIRROR MAN: Uma assistente social tenta ajudar um jovem sem abrigo mas, descobre que o seu antecessor morreu de forma misteriosa.
THE MAN WHO DIDN'T BELIEVE IN GHOSTS: Um escritor que não acredita no sobrenatural muda-se para uma alegada casa assombrada para provar que os fantasmas não existem.
NUMBER SIX: Em Helsby, uma pequena vila de Yorkshire, a polícia tenta capturar um assassino de crianças que ataca nas noites de lua cheia.

Quanto à edição propriamente dita, o som é Dolby digital 2.0 Mono, com uma proporção 1.33:1 full frame. Esta edição da Synapse Films é orientada para o mercado Norte-Americano, e daí o DVD estar em formato de região 1, e sem qualquer tipo de legendas. No entanto, se isso não te desencoraja, e tens a possibilidade de ver discos de região 1, aproveita para rever esta curta mas intensa série Britânica.
RDS



 

03/11/10

Curious Stories, Crooked Symbols – The Short Stories Of Roberto Gudiño (2009) & Rue Morgue, #99, April 2010


Este DVD reúne as três curtas-metragens de Roberto Gudiño, e que passo a apresentar.
“The Demonology Of Desire”: Uma adolescente faz uma pequena brincadeira de mau gosto com um rapaz que esta embeiçado por ela. Uma historia simples, algo lugar-comum, mas bem contada e com um ponto positivo que marca todo este DVD, a realização soberba de Gudiño. Um dos pontos negativos e que mais me fez torcer o nariz a esta curta, é mesmo a actuação da actriz principal. A rapariga é mesmo enervante (aqui, não no bom sentido). Não me deixou apreciar a curta da maneira que se pretende num filme destes. E aquela criatura? Qual o seu propósito? Na minha modesta opinião, o mais fraquito dos três, mas que mesmo assim já nos da a entender muito bem do que o realizador é capaz. 65%
“The Eyes Of Edward James”:
Ah, isto sim é quase uma obra de arte. Uma excelente ideia que Gudiño transpôs para o ecrã com sucesso. Um homem recorda um homicídio sangrento através de uma sessão de hipnotismo. Mais uma vez, o realizador dá cartas e conta-nos a história de um modo cativante, intenso e poderoso. Conceito geral, realização, narrativa e fotografia, tudo está soberbo. 90%
“The Facts In The Case Of Mister Hollow”:
A obra-prima de Roberto Gudiño, na minha modesta opinião. Começa com uma fotografia em tons sépia. Esta vai rodando, como se tivesse 3 dimensões, e dando a conhecer pormenores escondidos. Um tom de humor negro apimenta a coisa. Esta é mesmo curta, mas não precisa de mais tempo. Cativa desde o início ate ao fim. Recomendo vivamente. 100%
Alem das curtas, temos ainda direito a vários “making of”, entrevistas e “video tour”. A que mais gostei foi a que nos leva aos escritórios da revista Rue Morgue. Fez-me lembrar o espírito dos velhos tempos do Underground. Revi-me neste pessoal. Começar algo do zero, sem apoios, sem incentivos por parte de outros, apenas pelo puro gozo pela cultura alternativa, seja musica, cinema ou outros. Apreciação geral do DVD: 85%

Rue Morgue, #99, April 2010
Junto com o DVD recebi ainda um exemplar da revista Rue Morgue. Este é o #99 respeitante ao mês de Abril 2010. No geral, gostei da revista. Apresentações de novos filmes, criticas, entrevistas, etc. Como a maioria das revistas, não se limitam ao cinema, mas incluem rubricas de musica, videojogos, livros, etc. Sempre com temáticas ligadas ao terror, fantasia e/ou extremos. O aspecto negativo da revista é ter muitas publicidades. Metade das páginas são dedicadas aos anúncios. Compreende-se. A revista tem de ser paga, não é assim? Este tipo de material não é comercial e vende pouco. Fora isso, lê-se bem e com muito interesse. Dura é pouco, por ser apenas metade que se aproveita. Embora as imagens dos anúncios também sejam cativantes (as paginas são todas a cores). O preço? 9.95$. Um bocado puxado, mas vale a pena pelo conteúdo. 75%
RDS

11/04/09

Pet Sematary (1989)

Pet Sematary (1989)
http://en.wikipedia.org/wiki/Pet_Sematary_(film)
http://www.imdb.com/title/tt0098084/
Outro filme que fez parte da minha adolescência. Stephen King escreveu a novela e também o argumento para este filme. Sinceramente, acho as histórias de Stephen King, e os filmes que nelas são baseados, extremamente aborrecidos. Este deve ser o único que eu gosto. E muito.
Os Creed acabam de se mudar para a pequena cidade. O único problema é que a casa está localizada perto de uma auto-estrada muito usada por camiões que passam a altas velocidades. O gato da família é atropelado. Jud, um vizinho, mostra a Louis, o pai, um cemitério de animais de estimação que há ali perto. Um pouco mais acima há um antigo cemitério índio. Louis enterra o gato nesse cemitério e o gato acaba por regressar à vida. Mas este não é o mesmo. Pouco tempo depois, o filho também é atropelado na mesma estrada. Desesperado, Louis enterra o garoto no maldito cemitério. Este regressa à vida, mas com uma personalidade malévola e tendências homicidas.
A ideia base do conto é fabulosa e a maneira como foi transposta para filme é perfeita. Há algumas falhas, o elenco não é composto pelos melhores actores/actrizes, mas penso que isso apenas atribui ao filme um certo ar de série B que lhe assenta bem. O garoto é, sem dúvida alguma, um dos melhores actores do filme. Basta apenas estar atento à mudança de personalidade após o fatídico acidente. Verdadeiramente assustador. E a cena final entre o garoto e o pai é inquietante. E a “cereja no topo do bolo”, o tema título “Pet Sematary” pelos Ramones que acabou por se tornar, também ela, um clássico. Um filme de culto do cinema de terror da década de 80 que eu aconselho a todos os amantes do género (se é que ainda não o viram, “shame on you”). Há ainda uma sequela de 1992 que não é tão boa como o original. E fala-se também num “remake” em 2010 (esses malditos “remakes”!). 95%
RDS


20/12/08

House Of Wax (1953)

O Professor Henry Jarrod (Vincent Price) é um escultor de figures de cera. O museu que este possui não é muito popular e está dar prejuízo. O seu sócio propõe-lhe então deitar fogo ao mesmo para receber o dinheiro do seguro. O Prof. Jarrod fica indignado com a proposta mas o seu sócio inicia o fogo na mesma e os dois começam a lutar enquanto o local começa a arder. O Prof. é deixado inconsciente no meio das chamas, abandonado à sua sorte. O sócio recebe o dinheiro do seguro, enquanto que o Prof. é tido como morto. Mas este reaparece anos mais tarde, com um novo museu e dois assistentes. A abertura do museu coincide com o desaparecimento de várias pessoas na cidade. Este exibe reconstruções de cenários macabros e as esculturas parecem reais. Mas o novo assistente, um promissor jovem escultor, começa a desconfiar do seu novo mestre.
Este filme, já por si, um “remake” de “Mystery of The Wax Musem” (1933), foi alvo de uma adaptação livre em 2005 que, sinceramente, deixou muito a desejar. Quando há dias escolhi este clássico para fazer o meu serão, pensei que o iria estar a rever, pois lembrava-me de algo do género. Mas não foi assim, pois o que eu vi há uns anos atrás seguia uma história similar à do “remake” de 2005, enveredando por uma linha “slasher”. Um grupo de amigos em viagem perde-se e vai parar a uma vila que tem um museu de cera. Um a um estes vão desaparecendo e estátuas parecidas aos mesmos aparecem em exposição. Não consigo encontrar referências em lado algum a essa adaptação. Ajudas são bem-vindas.
Quanto a esta adaptação de 1953 (há uma versão "normal", a qual eu vi, e uma versão em 3D), um verdadeiro clássico do cinema de suspense com aquela que é, na minha modesta opinião, uma das melhores performances do grande Vincent Price (se é que ele alguma vez teve uma má performance). Aconselho vivamente a fãs de Vincent Price, filmes de suspense / terror da década de 50 e suspense no geral. 100%
RDS
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IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0045888/
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/House_of_Wax_(1953_movie)
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05/11/08

Dead Silence (2007)

Alguém deixa uma encomenda misteriosa à porta de Jamie Ashen (Ryan Kwanten) e a sua esposa Lisa (Laura Regan). Trata-se de um bizarro boneco de ventriloquista. Jamie sai de casa para ir buscar comida Chinesa e, quando volta, encontra Lisa morta e com o rosto desfigurado. Não tendo um álibi que o ilibe, Jamie é tido como suspeito número um pelo detective que assumiu o caso, Jim Lipton (Donnie Wahlberg). Baseado numa história de fantasmas da sua infância, acerca duma ventriloquista chamada Mary Shaw, Jamie volta à terra natal, Ravens Fair, para encontrar respostas para o assassinato da sua mulher e conseguir provar a sua inocência. Mas Jamie acaba por encontrar mais respostas do que aquelas que pretendia.
Produto das mesmas mentes que criaram de Saw, e com uma capa que faz lembrar muito o referido filme, poder-se-ia esperar algo na mesma linha. Pois não é isso que acontece em “Dead Silence”. Esta é uma boa história de fantasmas, com reminiscências da velha escola, como já não via há algum tempo. Não será propriamente assustador para quem está habituado a este tipo de filmes, mas o ambiente é denso, pesado e misterioso. E, felizmente, não recorre ao típico susto “salto da cadeira” por intermédio do som dos efeitos especiais e/ou música repentinos e com volume altíssimo. Aqui privilegia-se a tensão contínua, centrada no ambiente geral do filme e na imagem. Gostei muito do ambiente semi-gótico ao longo do filme, tanto na história como na fantástica fotografia de tons “apagados” de azul, verde e cinzento. E a ajudar ao clima temos ainda a fabulosa banda sonora de Charlie Clouser a fazer lembrar por momentos os clássicos do género da década de 70s. Quanto ao final, desafio seja quem for a dizer “eu já estava à espera disto, era previsível”. Tretas! Depois de ver um filme é muito fácil dizer isso. Aqui não se consegue adivinhar a impressionante reviravolta. Apesar de ter lido algumas críticas negativas (ainda bem que eu não dou muita atenção a esse tipo de comentários e prefiro fazer o meu próprio julgamento), gostei muito e recomendo. 85%
RDS

Website Oficial:
http://www.deadsilencemovie.net/
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0455760/
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Dead_Silence

29/10/08

Masters Of Horror (2005)

Já aqui falei nesta série de TV Norte-Americana, a propósito de “Imprint” do Japonês Takashi Miike. Esse episódio levou-me a ir procurar a série na sua totalidade. Neste momento estou a visualizar a primeira temporada e, para já, deparei-me com um episódio fraquito, um assim-assim e dois fantásticos. Mas vamos aos poucos e, numa primeira descrição, retrato a série em si. Mick Garris criou a série “Masters Of Horror” para o canal de TV por cabo Norte-Americano Showtime. Duas temporadas, de 13 episódios cada, foram produzidas e exibidas. Cada episódio foi realizado por um nome sonante do cinema de terror / suspense. Depois desta série, outra no mesmo formato, mas na área da ficção científica teve lugar: “Masters Of Science Fiction”. Foram apenas 6 episódios (dois deles não foram exibidos). “Fear Itself”, também na linha de terror, teve estreia no Verão de 2008. “Masters Of Italian Horror” (esta promete) está em fase de produção.
Abaixo descrevo os 4 episódios que já tive a oportunidade de ver. RDS
Website Oficial: http://www.mastersofhorror.net/
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Masters_of_Horror
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0448190

EP01 - “Incident On And Off A Mountain Road” (Don Coscarelli; série “Phantasm”, “The Beatmaster”, “Bubba Ho-Tep”):Enquanto conduz de noite, numa estrada solitária, pelo meio das montanhas, Ellen distrai-se com o auto-rádio e embate num carro estacionado. Esta procura ajuda porque o seu carro não pega de novo. Infelizmente, depara-se com Moonface, um enorme homem desfigurado que colecciona corpos humanos, a puxar o corpo de uma jovem. Ellen é raptada por Moonface, mas consegue escapar e retaliar contra o monstruoso psicopata.
Esta história é-vos conhecida? Pois claro, esta narrativa apresenta quase todos os “slashers” Norte-Americanos que foram feitos desde a década de 70 até aos nossos dias. Está bem feito, mas é demasiado cliché para o seu bem. O acidente de carro na montanha / floresta, o psicopata deformado, o desespero e luta da(s) pessoa(s) raptada(s) para conseguir fugir. Passo a passo, peça a peça, Don Coscarelli reconstrói o tipico “slasher” “made-in-USA”. Apenas para os fãs “diehard” do género. 55%
Wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Incident_On_and_Off_a_Mountain_Road
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0643107/
Don Coscarelli (Wikipedia): http://en.wikipedia.org/wiki/Don_Coscarelli
Don Coscarelli (IMDB): http://www.imdb.com/name/nm0181741/




EP02 – “H. P. Lovecraft's Dreams In The Witch-House” (Stuart Gordon; “Re-Animator”, “The Beyond”):
O estudante Walter Gilman aluga um quarto numa verdadeira pocilga. Este está a escrever a sua tese de graduação sobre dimensões paralelas e outros pressupostos metafísicos. Mas o quarto onde este dorme está, supostamente, amaldiçoado. Noite após noite, este começa a ter sonhos bizarros com um rato com cara humana, uma bruxa demoníaca e uma porta para outra dimensão. A bruxa pede-lhe para este praticar um ritual ocultista e sacrificar um bebé. A vizinha do quarto ao lado, com quem Walter está a começar a ter uma boa relação, é mãe solteira e tem um filho bebé. Walter começa a definhar e a certo ponto já não sabe qual é a realidade e a fantasia.
Quando pensei que a série iria enveredar pelos mesmos caminhos do 1º episódio, eis que me surge esta obra-prima baseada numa obra do genial Lovecraft e realizada por Stuart Gordon. Bizarro, psicadélico a momentos, perturbador, genial. Uma excelente adaptação do mundo bizarro de Lovecraft e, quem já leu algumas das suas obras, irá com certeza concordar comigo. Muito bom. Fez-me continuar a ver a série. 90%
Wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/H._P._Lovecraft%27s_Dreams_in_the_Witch-House
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0643104/
Stuart Gordon (Wikipedia): http://en.wikipedia.org/wiki/Stuart_Gordon
Stuart Gordon (IMDB): http://www.imdb.com/name/nm0002340/
EP03 – “Dance Of The Dead” (Tobe Hooper; “The Texas Chainsaw Masacre”, “Poltergeist”, “The Mangler”):
Encontramo-nos nuns USA pós-apocalípticos. A população foi dizimada por um ataque nuclear terrorista. A maior parte dos seres humanos ficou desfigurada, com a carne putrefacta. A sociedade está num estado de caos permanente. Uma jovem chamada Peggy vive com a sua mãe, dona de um snack-bar. Peggy envolve-se com um jovem motociclista viciado em drogas e o seu grupo de amigos. Contra os protestos da mãe, esta vai com o grupo para o seu local de eleição, um clube nocturno chamado Dorm Room. Ali, o mestre-de-cerimónias (o grande Robert “Nightmare On Elm Street” Englund) apresenta um mórbido espectáculo em que corpos reavivados por intermédio descargas eléctricas e injecções de drogas experimentais têm espasmos a que chamam “dança da morte”. Peggy vai reconhecer uma das pessoas em palco e, consequentemente, vai ficar a conhecer um segredo nada agradável.
Não é uma história originalíssima mas está bem feita e convence. Se estivéssemos a falar de um filme de longa duração, a coisa poderia ser melhor explorada, ou então, arrastar-se-ia demais para o seu próprio bem. Para media metragem, está muito bem e cumpre o seu papel. E uma participação de Robert Englund dá sempre aquele toque de bizarria e esquisitice que agrada aos fãs de terror. A banda sonora é da responsabilidade de Billy Corgan (Smashing Pumpkins) e é o melhorzito que este senhor fez desde a dissolução dos Pumpkins. Gostei mas não penso que vá ver de novo num futuro próximo. 70%
Wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Dance_of_the_Dead_(Masters_of_Horror_episode)
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0643102/
Tobe Hooper (Wikipedia): http://en.wikipedia.org/wiki/Tobe_Hooper
Tobe Hooper (IMDB): http://www.imdb.com/name/nm0001361/


EP04 – “Jenifer” (Dario Argento; “Profondo Rosso”, “Suspiria”, “Phenomena”):Dois polícias dentro do carro patrulha, estacionado num local afastado, apreciam o seu almoço. O Detective Frank Spivey sai do carro para fumar um cigarro e vê um homem a arrastar uma jovem. Frank chega mesmo a tempo de impedir o homem de cortar a cabeça da jovem com um cutelo, alvejando o homem mortalmente. Mas antes de morrer, este ainda consegue dizer: “Jenifer”. Este tenta a ajudar a rapariga a levantar-se e repara que esta está terrivelmente desfigurada na face, não fala, e tem um certo atraso mental. Jenifer vai para um hospital psiquiátrico mas o detective tem pena dela e leva-a para casa, mesmo contra a vontade da sua esposa. Depois de Jenifer matar e comer o cão da família, a esposa de Frank sai de casa com o filho. Frank começa a ficar obcecado com a rapariga de uma forma pouco saudável. A relação torna-se física. Até que algo de mais grave acontece. Este foge com a rapariga para uma cabana nas montanhas. Mas as coisas não vão acalmar.
A maior parte das críticas que li sobre esta primeira participação do mestre Argento na série não foram muito favoráveis. Não sei porquê. Este é o melhor episódio que vi até agora. Intenso, perturbador (Jenifer é verdadeiramente perturbadora, excelente caracterização), pleno de suspense (Argento é exímio em criar ambiente pesados), muito Gore (é até demasiado Gore para o habitual de Argento, não que eu me esteja a queixar, mas não é o estilo do mestre Italiano). E a cereja no cimo do bolo é mesmo a banda sonora de Claudio Simonetti (ex-Goblin), colaborador assíduo de Argento. Fantástico. Espero encontrar mais episódios assim. 90%
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Jenifer_(Masters_of_Horror_episode)
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0643108/
Dario Argento (Wikipedia): http://en.wikipedia.org/wiki/Dario_Argento
Dario Argento (IMDB): http://www.imdb.com/name/nm0000783/

09/10/08

Hae-boo-hak-kyo-sil / The Cut (2007)

Mais um filme de terror Sul-Coreano que tive o (des)prazer de ver. Na verdade, a premissa deste não foge muito a aquilo que se faz no Ocidente e, faz até lembrar muito “Anatomie”. Mas, enquanto que no filme alemão lidamos com seres humanos perversos, em “The Cut” lidamos com entidades sobrenaturais e o seu desejo de vingança (claro, estamos a falar de um filme Asiático).
Um grupo de seis estudantes de medicina começa a ter sonhos e alucinações arrepiantes depois de uma aula de anatomia, na qual lhes foi atribuído o cadáver de uma bela jovem. Um a um estes vão começar a morrer de forma estranha e começam a aperceber-se de que está tudo ligado ao cadáver e ao passado da jovem. A história não é nada do outro mundo (ou talvez seja) mas está bem desenvolvida, bom argumento, excelente realização (muito importante num filme de terror com uma forte componente de suspense) e soberbas interpretações por parte de todo o elenco. Além disso, o final é inesperado, se bem que já vi reviravoltas do género noutros filmes e os mais “espertinhos” vão dizer que já estavam a prever aquele desenlace (no final do filme todos são muito espertos). Assustador, arrepiante, intenso, asfixiante, é assim “The Cut”. Manteve-me agarrado ao ecrã durante os 90 minutos que tem de duração. Uma particularidade que me faz gostar ainda mais do filme e lhe dá outra dimensão é a fusão dos elementos de terror e suspense com alguma fantasia e um ambiente gótico-romântico. Podemos ver na mesma cena sangue e pétalas de flores ou ainda um cadáver rodeado de cores de tonalidades mais “alegres” como azul, verde ou vermelho. A fotografia representa um grande papel nesta fantástica película Sul-Coreana. Este contraste da morte e do macabro com a beleza da juventude e tons românticos chama a atenção e afasta “The Cut” dos seus pares. Gostei muito e recomendo vivamente, quanto mais não seja pela cinematografia exemplar. 90%
RDS

HanCinema:
http://www.hancinema.net/korean_movie_The_Cut.php

03/09/08

Phairii Phinaat Paa Mawrana / Vengeance (2006)

Um jovem polícia chamado Wut persegue uns criminosos que escaparam da prisão, entre os quais se encontra Nasor. Sem ter conhecimento disso, estes partilham um passado. Alegadamente, o pai de Wut assassinou o pai de Nasor por causa de uma valiosa moeda que trouxeram da floresta. O Capitão Wut, juntamente com alguns dos seus subordinados, um guia e a sua filha, perseguem os criminosos no centro de uma selva que se diz estar amaldiçoada. Nenhum dos dois sabe que a moeda que Nasor roubou os liga, e que esta o factor primordial para a maldição que assola a floresta proibida de Thai-Myanmar. Ao longo da jornada estes são atacados por insectos assassinos, uma serpente gigante e outras criaturas demoníacas e vampíricas.
A realização está fantástica; alguns efeitos especiais são bons, outros são tipicamente série B (todo o filme tem este ambiente) mas agradam na mesma (para quem gosta deste material de baixo orçamento); os actores estão acima da média; a história, apesar de ser simples, é eficaz (mas queremos mais nestes tipo de filme?!); e, finalmente, a banda sonora adequa-se na perfeição ao ambiente do filme. É pena a fotografia não estar melhor pois, na maior parte do filme, está tudo muito escuro e nãos e notam certos pormenores, factor importante neste tipo de filmes de fantasia e/ou terror. O filme demora um bom bocado a desenvolver mas, assim que se chega aos 25 minutos finais, a acção, suspense, terror e fantasia não param durante um segundo. Gostei da revelação final, da qual não estava mesmo à espera! Gostei. Não é uma obra-prima mas é puro entretenimento que irá agradar a fãs de acção, terror, suspense e, até, ficção-científica. Muito melhor que algumas das atrocidades que têm saído dos USA nos últimos anos. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0780116/

13/07/08

Redeu-ai / Redeye (2005)

Uma hospedeira, Oh Mi-sun (Shin-yeong Jang), junta-se ao turno da noite de um comboio intercidades e, na sua primeira noite de trabalho, depara-se com alguns eventos sobrenaturais que ocorrem durante a viagem. Este novo comboio foi construído com partes de um outro que teve um acidente há uns anos atrás, do qual resultaram inúmeras vítimas mortais, entre os quais, o pai de Mi-sun. Pouco a pouco o comboio começa a ganhar vida e começa a reivindicar vidas entre os actuais passageiros.
É esta a simples premissa do filme. E até poderia resultar o que, infelizmente, não acontece. A narrativa é muito confusa e há muitos pormenores que estão mal explicados. A resolução do enigma do comboio e dos seus fantasmagóricos ocupantes não é das melhores e, mais uma vez, está mal explicada e alguns pormenores não fazem sentido. Mas é só aspectos negativos? Não. Em termos de efeitos especiais, fotografia e até a própria realização, o filme é fantástico e tem momentos arrepiantes muito bem conseguidos. Mas realço apenas essa componente visual pois, como já referi, o argumento pretende ser algo de muito elaborado e acaba por falhar redondamente. Apenas para os fãs “diehard” de terror asiático e que ainda não estão fartos de assustadoras raparigas de cabelos longos pretos a surgir de todos os cantos e esquinas. 40%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0448707/

03/06/08

Chakushin Ari / One Missed Call (TV) (2005)

Depois de ter visto a trilogia de filmes, e de ter gostado imenso, eis que me surge a oportunidade de pôr as mãos (e olhos) na série de TV (ou Dorama, como é apelidada no Japão). Em termos de edição oficial, esta surge entre o 2º e o 3º filme. Ao todo são 10 episódios, com uma duração individual de 45 minutos, que seguem a mesma premissa dos filmes. A grande diferença é que este Dorama é mais direccionado para o mistério-suspense-policial do que propriamente para o terror puro (leia-se: J-Horror). Mas não se preocupem os fãs “diehard” do J-Horror pois há terror em boas doses. Muito humor (tipicamente Japonês) à mistura e algum drama (sem chegar ao usual melodramatismo asiático) ajudam a condimentar. Alguns dos efeitos especiais é que deixam algo a desejar, mas claro está, estamos a lidar com uma série de TV e não com um filme de alto orçamento. Mas também não é nada que arruíne o visionamento. Há até alguns efeitos (mais na linha do terror) que estão ao mais alto nível do que estamos habituados no género vindo do Japão. Os actores e actrizes estão, como habitual numa produção Japonesa, excelentes. Mas, como é evidente, o espectador tem de estar habituado a cinema/TV e/ou cultura nipónica em geral para poder apreciar os comportamentos, algo bizarros para um ocidental. O argumento é excelente, está muito bem escrito, com muitas reviravoltas interessantes, conseguindo agarrar o espectador do início ao fim de cada episódio, e deixando-o “pendurado” no final, ansiando por mais. O final (da série) é ambíguo. Deixa-nos a pensar um pouco. Coisa habitual no J-Horror, eu sei. Eu achei, no mínimo, interessante, embora estivesse à espera de outro tipo de final, deixando-me este algo desiludido. Mas não de todo.
Outro tópico que não posso deixar de referir é a faixa musical que encerra cada episódio. Trata-se da faixa “Heart” da “girls band” japonesa D.D.D. É extremamente “catchy” e viciante. Eu a gostar de uma faixa Pop e, ainda por cima, interpretada de uma “girls band”? É claro que se trata de J-Pop, por isso, deixo passar, he, he. Brincadeiras à parte, é mais que certo que se gostarmos de um filme ou de uma série de TV, acabaremos por ficar viciados também na sua música, mesmo que não faça parte do nosso universo musical de preferência. Foi o que aconteceu neste caso. Ainda vos deixo aqui o videoclip da mesma para vosso deleite (ou para que deixem as vossas queixas, he, he).
No geral, valem a pena os 450 minutos que se passam em frente ao ecrã. Para os fãs da trilogia de filmes. 80%
RDS

Website Oficial:
http://www.tv-asahi.co.jp/chakushin/
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1015573/
Chakushin Ari - Excerto


D.D.D. - Heart (Chakushin Ari OST)

28/05/08

Pon / Phone (2002)

A jornalista Ji-won (Ji-won Ha) escreveu alguns artigos sobre pedofilia e, por isso mesmo, está ser alvo de chamadas telefónicas ameaçadoras por parte de pessoas envolvidas no escândalo. Esta tira um tempo livre do seu trabalho e vai viver durante uns tempos para a casa nova, ainda desabitada, de uma amiga. A filha do casal amigo, Young-su, atende o telemóvel de Ji-won e dá um grito de susto, passando a comportar-se de uma forma estranha e assustadora depois do sucedido. A criança começa a demonstrar uma atracção obsessiva pelo pai e a odiar a mãe. Entretanto, Ji-won continua a receber chamadas e mensagens, mesmo depois de mudar de número. Esta inicia uma investigação para saber mais sobre o passado do seu actual número e descobre que os anteriores donos ou desapareceram, ou morreram em circunstâncias misteriosas. Ao procurar informações sobre a primeira pessoa desaparecida, Jin-hee, descobre que esta era uma adolescente que estava obsessivamente apaixonada por um homem mais velho e casado. Os segredos começam a desvendar-se.
Não vou estar a revelar muito mais da trama, pois este é um filme que tem de ser ir vendo e juntando certas peças. Misto de policial, thriller e terror, este filme da Coreia do Sul é protagonizado por Ji-won Ha (“Sex Is Zero”, “100 Days With Mr. Arrogant” ou “Duelist”, entre outros). Já aqui fiz comentários às capacidades, ou falta delas, desta jovem actriz. Ora vejo um filme onde esta me desilude totalmente, ora vejo um filme onde esta está irrepreensível. Este é um dos filmes onde Ji-won consegue uma boa performance. Quanto ao filme em si, apesar de ter um enredo algo complexo, este não é assim tão difícil ou confuso como outros filmes asiáticos de terror ou suspense que tenho visto. Pelo menos não o é pelos padrões asiáticos, pois este “Phone” está mais próximo de um thriller sobrenatural Norte-Americano do que de um Sul-Coreano. O argumento é bom, o ambiente é intenso, tem muito suspense, revilravoltas não esperadas e uma actuação fenomenal de Ji-won e, principalmente, de Seo-woo Eun (a filha do casal). Não é uma obra-prima, mas vale a pena os 100 minutos e, se gostam do género, não os vão dar por perdidos, acreditem. 85%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0323630/

24/04/08

Gwishini Sanda / Ghost House (2004)

Pil-gi é um miúdo que vive com o pai. Estes têm sempre desentendimentos com os senhorios das casas onde vivem, o que os leva e estar sempre a mudar. Avançamos no tempo. Pil-gi (Seung-won Cha) é já um adulto e está a comprar a sua primeira casa, tal como tinha prometido em tempos ao falecido pai. A casa parece perfeita à primeira. Boa localização, bonita, e disponível por um bom preço. Pil-gi está satisfeito com a sua compra, até que coisas estranhas começam a acontecer. A casa começa a atacá-lo, móveis mexem-se, pratos voam, aparecem galinhas (uma das suas fobias) em números exorbitantes. Uma das cenas mais hilariantes tem a ver com um aparelho de televisão. Só mesmo vendo para perceber o que é. Ora, estes ataques têm a sua razão de ser. A casa é habitada por uma fantasma. Mas uma muito bonita, nada dos habituais espectros horripilantes dos filmes de terror. Esta fantasma, Yeon-hwa (Seo-hee Jang), a anterior moradora, tenta expulsá-lo de sua casa. O filme começa numa linha de comédia de terror (as chamadas “horror comedies” em inglês, muito populares nos 80s) mas, como habitual nos filmes Coreanos (e asiáticos em geral), há uma viragem no estilo a cero ponto. Sem querer estar a revelar muito da história, a certa altura do filme ficamos a saber o porquê daquela fantasma estar presa à casa. Passamos por uma breve fase mais direccionada para o drama. Pil-gi tenta ajudá-la. Entretanto, uma outra personagem aparece em cena e Pil-gi e Yeon-hwa têm de unir esforços para lutar contra um inimigo comum. Uma luta final, bem ao estilo das comédias de terror dos 80s (as séries “House” e “Evil Dead” vêm à cabeça), vai decidir tudo. Tanto Seung-won Cha como Seo-hee Jang estão fabulosos nos seus respectivos papéis. Assim como o resto do elenco. Sem ser uma obra-prima, o filme cumpre o seu intento. Gostei muito de todas as “fases” do mesmo, tanto a comédia mais declarada, como as partes mais sérias. São duas horas de filme, mas que passam sem darmos por isso. Para quem gosta de comédia em geral, comédias Coreanas e 80s horror comedies em particular. 75%
RDS
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10/04/08

Kogyaru-gui: Oosaka Terekua Hen / Eat The Schoolgirl (1997)

Um membro de um gangue Yakuza só consegue obter prazer sexual ao assassinar as pessoas e depois masturbar-se nas feridas das mesmas. Isto sempre vestido de rapariga colegial, com peruca e tudo. Entre os assassinatos, este tem flashbacks do seu passado sangrento. Outro membro do gangue tem alguns problemas psíquicos e está sempre a pensar e a falar em sexo. Os outros membros do gangue raptam e violam mulheres; gravam sempre tudo em vídeo linha snuff-film e depois vêem e revêem as gravações. Já está bizarro o suficiente? Não? Um anjo (na forma feminina, apesar de se dizer que os anjos não têm sexo) sem asas (as feridas nas costas assim o indicam) anda sempre nua no apartamento do assassino atrás mencionado, oferece o seu corpo ao mesmo, diz-lhe que pode fazer o que quiser com ela, e dá-lhe para matar. Sangue, sexo, violações, sémen, vómito, masturbação, clisteres, estripamentos, perturbações psíquicas, violência extrema. Tudo isto e muito mais faz parte deste filme de série B. Apesar da história principal não ser bem compreensível ao longo do filme, dá para entender que o passado do “herói” não é dos mais coloridos, daí ele ter ficado com perturbações e cometer as atrocidades que comete. Nessa perspectiva, o final, assim como a frase que este profere, também se percebem perfeitamente.
Não é o melhor filme do estilo. Longe disso. Se querem algo mais “trabalhado” em, termos visuais e de argumento, então vejam um filme de Takashi Miike (“Ichi, The Killer”, por exemplo). Mas se não se importam muito com esses pormenores de argumento, realização, fotografia, etc, e gostam de cinema extremo, gore, trashy, série B, então esta é uma boa aposta. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0450004/

08/04/08

The Gate (1987)

A coisa é simples. Típico filme de terror dos 80s. Dois putos amigos, Glen (Stephen Dorff) e Terry (Louis Tripp), abrem um portal para o Inferno no quintal da casa de Glen acidentalmente. Coisas estranhas começam a acontecer na casa. Pequenos demónios saem do buraco no chão. São necessários dois sacrifícios humanos para que o inferno povoe a Terra de uma vez por todas. Terry, um metalhead, descobre lá em casa um disco de uma banda de Hard ‘N’ Heavy que contém indicações sobre o assunto. Pois, tinha de ser! Os dois miúdos, com a ajuda da irmã de Glen, têm de eliminar os demónios, fechar o portal e salvar o mundo.
Como já disse, típico filme de terror dos 80s. Cresci com este tipo de filmes. Lembro-me de ter visto este há uns anos atrás, quando era um miúdo. Actualmente, para meu gozo pessoal, estou a rever este material todo. Este não podia falhar. Assustador? Nem pensar. Divertido, isso sim. Nem sei como é que alguém podia ter medo na altura. Este tipo de filmes envelheceu facilmente. Hoje em dia são vistos apenas por fãs do género, como eu. Efeitos especiais típicos da altura, música pirosa de sintetizador (fixe, he, he!), argumento simples. E as actuações neste até são acima da média. É assim que eu gosto destas cenas retro, bem “kitsch”. Na linha de “House” (1986), por exemplo. Para fãs de terror dos 80s, série B e fantasia. 70%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0093075/

07/04/08

Breeders (1986)

A acção decorre em Manhattan. Um alienígena, que consegue assumir a forma física que quiser, está a violar virgens para efeitos de reprodução. A sua intenção é, pasmem-se, dominar o planeta Terra. O detective Andriotti e a doutora Pace tentam, desvendar o mistério por detrás das violações. O final é simplíssimo. Não vou contar para não vos arruinar o “clímax” do filme. Se bem que não há nada para arruinar. A coisa é do mais simples. O conceito é similar ao de “Species”. Pensem numa versão de baixo orçamento desse filme e ficam com uma ideia.
Típico série B da década de 80, baixo orçamento, péssimas performances do elenco, argumento do mais simples (é impressionante como em meados da década de 80, em Nova Iorque, todas as mulheres que aparecem são virgens, he, he), música pirosa (do tipo “sintetizador de trintão a viver na cave da casa da mãe”), muita gritaria histérica por parte das actrizes (imaginem uma sátira à cena do chuveiro de “Psycho”), efeitos especiais simples (a criatura é um tipo vestido com um fato de carnaval), e muita, mas mesmo muita nudez. Querem melhor?
Assustador? Nem pensar. Isto é tão assustador como “Gremlins” ou “Ghoulies”, he, he. Puro entretenimento. E é isso mesmo que se procura num filme destes. Apenas para fãs de série B. Os outros afastem-se porque vão achar que isto é uma bela merda. E se calhar até têm razão. 65%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0090771/

28/03/08

Witchfinder General (1968)

Século XVII. A Inglaterra está dividida pela guerra civil. Os monarquistas lutam contra o partido parlamentar pelo controle da nação. Este conflito distrai o povo do pensamento racional e permite que homens sem escrúpulos ganhem o poder local explorando superstições aldeãs. Um destes homens é Matthew Hopkins (Vincent Price), que percorre o país oferecendo os seus serviços como caçador de bruxas. Ajudado pelo seu sádico cúmplice John Stearne (Robert Russell), viaja de cidade em cidade extraindo confissões a “bruxas” com o único intuito de encher os bolsos e receber favores sexuais. Quando Hopkins condena o Padre John Lowes (Rupert Davies) por bruxaria, e subjuga a sobrinha deste, Sarah Lowes (Hilary Heath), acaba por ser alvo da fúria de Richard Marshall (Ian Ogilvy), noivo da rapariga. Arriscando ser condenado por fuga aos seus deveres militares, Richard persegue Hopkins e Stearne.
Fusão de thriller e terror, toques de western e dos filmes da Hammer. Esta obra-prima, baseada em factos reais, é tida como um dos filmes mais violentos alguma vez feitos no Reino Unido. Não pelas directrizes actuais, como é evidente, não se trata de um filme de terror puro, muito menos Gore. São os temas retratados, alguns deles até tabu, que criam o ambiente denso do filme e nos fazem pensar. Abuso de poder, corrupção, política, religião, superstição. Século XVII? As ideias e conceitos deste filme mantêm-se actuais. Obscuro, soturno, denso, agressivo. Uma obra-prima. Vincent Price, como sempre, está irrepreensível no papel do famigerado Hopkins. Price reencarna na perfeição a perfídia, malignidade, falta de escrúpulos e moral de Hopkins. Perfeito! Aliás, todo o elenco está soberbo. A realização de Michael Reeves é também um dos factores que eleva este filme a um patamar superior. E, segundo parece, Price e Reeves não se entendiam muito bem, existindo alguma tensão entre ambos o que, em parte, ajudou ao ambiente negro do filme. Pena é que o realizador Michael Reeves tenha deixado o mundo dos vivos tão cedo (devido a uma overdose de barbitúricos). Tinha apenas 25 anos de idade e deixou 4 filmes para a posteridade. Mas antes de nos deixar, ofereceu-nos esta obra-prima, “Witchfinder General”. “My name is Hopkins. Witchfinder”. Uma frase que fica na história do cinema. 100%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0063285/

27/03/08

Shutter (2004) - Trailer

Shutter (2004)

Um jovem fotografo chamado Tun (Ananda Everingham) e a sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) atropelam uma rapariga ao regressar de uma jantar com um grupo de amigos. Tun convence Jane, que ia a guiar o carro, a fugir do local sem ajudar a vítima. Após este incidente, Tun começa a ver sombras misteriosas nas suas fotografias. Depois de fazer algumas investigações, este descobre que a rapariga atropelada era uma Natre (Achita Sikamana), ex-namorada e ex-colega de faculdade. No decorrer dos eventos, Jane descobre que o seu namorado esconde uma parte do seu passado que envolve Natre e o seu grupo de amigos.
Parece que não é só do Japão e da Coreia Do Sul que vêm os grandes filmes de terror e suspense. A Tailândia já está a ser responsável por uma série de filmes, com este “Shutter” à cabeça, que rivalizam com os seus pares Japoneses e Coreanos. “Shutter” é um filme intenso, assustador, perturbador. Já li algumas críticas e comentários que o apontam como um dos melhore filmes asiáticos de terror desde “Ju-On” e “Ringu”. Não posso senão concordar com a afirmação. Há já algum tempo que não via um filme tão assustador como este. Segundo parece, os realizadores, Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom estão na casa dos 20s e este é apenas o seu primeiro filme. Se é isto que conseguem na sua primeira experiência cinematográfica, então aguardo ansioso por mais trabalhos destes senhores. Promissores sem dúvida.
Para variar um pouco, o remake nos Estados Unidos é já uma realidade. Que fazer? Cópias medíocres de obras-primas? Gostaria de dizer que me passam ao lado mas eu, como consumidor impulsivo de cinema, gosto de ver tudo e depois comparar. No entanto, remakes à parte, o original estará sempre disponível para nós cinéfilos. Altamente aconselhável. 90%
RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0440803/

[Escrito ao som de Doomsword “Doomsword” (Underground Symphony 1999)]

Kowai Onna / Unholy Women (2006) - Trailer

Kowai Onna / Unholy Women (2006)

“Unholy Women” é uma antologia composta por 3 contos de terror / suspense oriunda do Japão. O argumento e a realização são creditados a Keita Amemiya e Takuji Suzuki. Passo a descrever e comentar um a um estes bizarros e surreais contos do país do sol nascente.

“Rattle Rattle”: Inicia como um qualquer filme de J-Horror mas rapidamente se transforma num pesadelo bizarro, surreal, de contornos quase psicadélicos, mais até do que propriamente assustador. Mas estejam descansados (ou não) que tem alguns pormenores bem assustadores. Kanako é uma jovem que chega a casa após uma saída com o seu namorado. O carro derruba uma jarra com flores que está num pequeno santuário à beira da estrada. Ao fazer o resto do caminho a pé, Kanako é atingida por algo que cai do cimo de um prédio, localizado perto do referido santuário. Após o embate, a rapariga começa a ter visões estranhas e a ser perseguida por um ser estranho, assustador, bizarro (já repararam quanto vezes usei esta palavra? Vejam o filme e depois dão-me razão!). A nossa heroína (Noriko Kakagoshi, o único senão nesta curta-metragem pois a rapariga não tem qualquer habilidade na arte da representação!) inicia uma investigação para saber sobre o suicídio de uma mulher e do seu falecido filho. O final é surpreendente. Ah, já gora, o título “Rattle Rattle”, é o som que a estranha criatura faz ao movimentar-se. 70%

“Hagane (Steel)”: Bizarro! Se eu usei a palavra para descrever o filme anterior, então aqui é que se encaixa na perfeição! Esta é uma das coisas mais estranhas e surreais que eu já vi em filme. Estes Japoneses lembram-se de tudo e mais alguma coisa. Sekiguchi é um miúdo do tipo “cromo” que trabalha numa oficina mecânica. Certo dia, o seu patrão mostra-lhe uma fotografia da sua irmã e pede-lhe para a levar a passear. Diz-lhe até para levar o carro desportivo de um cliente. Assim que o rapaz chega a casa do patrão confronta-se não com a rapariga da fotografia, mas com outro cenário bem diferente. Não quero estar a estragar-vos a surpresa pois vale bem a pena. Acreditem que é para largar um palavrão bem sonoro! A partir daí o encontro, e posteriores encontros (a bom custo evitados pelo rapaz), tornam-se em situações perfeitamente bizarras e surreais (vejam “Unhole Women” e vão usar estas palavras tão amiúde como eu). Comédia negra, suspense, terror e algum Gore. Há um pouco de tudo condensado nesta obra-prima da esquisitice. Todos os constituintes da antologia são fantásticos, mas só por este “Hagane” já vale a pena o visionamento. Fabuloso! 95%

“The Inheritance”: Para os fãs das histórias de fantasmas Japonesas. No entanto, acaba por ser até mais real do que propriamente sobrenatural. Esta história, que encerra a antologia, é plena de suspense, intensa, perturbadora, de um terror psicológico fortíssimo. Saeko é uma mulher recentemente divorciada que sai de Tóquio e regressa à sua terra natal, junto com o seu filho, para viver com a sua mãe. Já na casa, Saeko começa a agir de forma estranha, distante, agressiva, quase psicótica. Mas esta repentina mudança não é nova naquela casa. Em tempos houve outro incidente que envolveu a sua mãe e o seu irmão Mashaiko. Sem querer estar a arruinar o visionamento, posso dizer que o final não é dos mais agradáveis, mas isso apenas acentua ainda mais o ambiente extremamente tenso do filme. Um final feliz não conseguiria ter tanto impacto. É pena ser apenas uma curta-metragem, pois o tema poderia ser melhor explorado. 70%

Avaliação Final: 80%

RDS

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0959314/

[Escrito ao som de Diamanda Galas w/ John Paul Jones “The Sporting Life” (Mute 1994)]

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